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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Filme do Dia: Mifune (1999), Søren Kragh-Jacobsen

Mifune (Mifunes Sidste Sang, Dinamarca/Suécia, 1999). De:  Søren Kragh-Jacobsen. Rot. Original: Anders Thomas Jensen &  Søren Kragh-Jacobsen. Fotografia: Anthony Dod Mantle. Música: Thor Backhausen,  Karl Bille & Christian Sievert. Montagem: Valdis Oskarsdóttir. Com: Iben Hjejle, Anders W. Bertelsen, Jesper Asholt, Emil Tarding, Anders Hove, Sofie Gråbøl, Paprika Steen, Kjeld Nørgaard.
      Kresten (Bertelsen), casa-se com Claire (Gråbøl), a filha do dono da empresa (Nørgaard) em que trabalha, e no início da lua-de-mel tem que fazer uma viajem repentina até a fazenda de sua família, devido a morte do pai. Sua esposa, que não sabia que Kresten possuía pai e um irmão, se surpreende. Na fazenda, Kresten reencontra o irmão excepcional Rud (Asholt) e contrata como empregada, uma prostituta, Liva (Hjejle), que cansada das ameaças que vem recebendo pelo telefone, pretende temporariamente ganhar dinheiro em outro ramo. Logo de início ela se surpreende com a excentricidade dos dois irmãos e comenta com suas ex-colegas de trabalho. Gerner (Hove), o irmão mais velho de Kresten, que mora próximo, é rude, e em parte por se sentir diminuído pelo status social superior do irmão mais moço, não cansa de fazer galhofa sobre sua superioridade sexual, já que ficou com uma ex-namorada de Kresten. Kresten, mesmo tímido,  passa a se sentir cada vez mais atraído por Liva, que Rud teima em chamar de Linda. Quando vive com ela um momento de intimidade, tomando vinho, é surpreendido pela esposa, que fica abismada com o desleixo em que se encontra a fazenda, com a presença de Liva e, assustada, golpeia Rud, quando esse surge de máscara e cuecas, afirmando que quer o divórcio. Liva diz que tem um irmão que passa por dificuldades – foi expulso da escola – e Kersten se prontifica em vir trazê-lo para morar com ela. Adolescente e rebelde, Bjarke (Tarding), passa a destratar Rud e não entende como a irmã resolveu morar com dois caipiras. Kresten tem seu primeiro momento de idílio com Liva no campo interrompido com um telefonema de sua esposa, dizendo que pretende vê-lo. Porém quando Kresten lá chega, encontra uma mensagem gravada, em que ela afirma que só pretendia lhe pregar uma peça, e que não só entrará com o pedido de divórcio, como seu pai não o quer mais na empresa. Tripudiando com Rud, Bjarke afirma que ele não tem coragem de pular em um rio para conseguir uma pedra e esse pula. Assustado com a sua demora em voltar a tona, Bjarke pula depois e lhe puxa para a margem, onde sela sua amizade com Rud. Deprimido, Kresten é consolado por Liva e possuem uma primeira noite de sexo juntos. Indignada por se sentir objeto nas mãos do patrão, Liva acorda de mau humor e as coisas só pioram quando descobre que fora o irmão quem andara lhe ameaçando anonimamente. Com a estima baixa, Liva volta a fazer programa e se embriaga no hotel da cidade. De ressaca, retorna à casa com Kresten. Decide abandonar a casa na manhã seguinte, embora Bjarke se manifeste contrário, já que passara a gostar dos irmãos. Enquanto Rud brinca de acampar com Bjarke e Kresten, Liva é atacada por Gerner e seus amigos, que soubera do episódio do hotel. Kresten chega para defendê-la e sofre mais violência que a própria Liva. Na noite, ainda se recuperando, confessa a Liva que a mulher que andara atrás dele era sua mulher e que todos da região não passam de uns mentirosos. Liva chora, com remorsos por também lhe ter encoberto sobre sua profissão. A noite, as prostitutas amigas de Liva – que lhes comentaram anteriormente aspectos negativos sobre Kresten - aproximam-se da casa e a encontram deitada após ter feito amor com Kresten e pensam que ele a estuprou, invadindo a casa e o atacando. Na manhã seguinte Kresten acorda e procura por Rud, finalmente encontrando-o em um celeiro, junto a Bjarke. E reencontra Liva, com quem celebra a noite, seu amor, ao som de músicos.
           Essa comédia dramática, que como Festa em Família e Os Idiotas, faz parte do “manifesto” dos cineastas nórdicos denominado Dogma-95, embora compartilhe como os outros de uma certa “estética do improviso”, como câmera na mão e filmagens em locação e a recusa dos atributos característicos do padrão da produção industrial, tanto se distancia dos outros ao buscar uma narrativa bem mais convencional, como também não abre mão de deixar patente sua exuberante fotografia e até alguns momentos de trilha musical incidental, que contraria a própria carta de intenções do movimento. A mesma busca de centralizar todas as atenções para a história a ser contada faz com que, mais ainda que os outros, ocorra uma concentração de eventos que se sucedem ininterruptamente em um curto espaço de tempo, assim como uma não menos questionável espetaculização na interpretação dos atores associado ao movimento de câmera nas explosões de violência. Seu enredo, em grande parte, parece menos próximo dos outros filmes do manifesto que do super-estimado Bagdad Café (1990) de Percy Adlon, onde igualmente um grupo de estranhos que sofrem com a solidão e outros reveses da vida transforma-se em uma grande família, após aceitar conviver com as diferenças de valores de uma forma produtiva, donde o tom bem mais sentimental, condescendente e emocionalmente manipulativo, presente em cenas como a que o garoto passa a se tornar amigo de Rud, ou juntos com Kresten trazem flores para Liva. O roteiro, permeado de clichês e facilidades, bem ao estilo do filme de Adlon, também sofre com certas incongruências, como a de Liva nunca ter percebido a voz do irmão nas ameaças anônimas. Em grande parte, o efeito que o filme produz advém, além do ritmo alucinante dos eventos, da boa interpretação dos atores. O título é proveniente de uma brincadeira que Kertsten tradicionalmente faz com Rud, imitando os samurais vividos pelo ator Toshiro Mifune nos filmes de KurosawaNimbus Film/ Zentropa Entertainments/Danmarks Radio/ SVT Drama/ Nimbus Film ApS. 98 minutos.

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