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sexta-feira, 5 de junho de 2015

The Film Handbook#26: Sergei Paradjanov



Nascimento: 09/01/1924, Tiflis, Geórgia, URSS
Morte: 21/07/1990, Yerevan, URSS [hoje Armênia]
Carreira: 1954-1992

Apesar de muitos poucos filmes de Sarkis Paradjanian terem chegado ao Ocidente, sua obra mais conhecida assinala um talento profundamente original (ainda que difícil). Sua idiossincrática mescla de folclore medieval com modernismo cinematográfico torna seus filmes, desafiadores e obscuros como são, sensualmente poéticos.

Nascido na Geórgia de pais armenos, Paradjanov estudou cinema e música antes de se tornar assistente de direção nos Estúdios Dovjenko, de Kiev. Sua estreia em 1954, Andriesh, co-dirigido com Yakov Bazelian, foi seguida de diversos curtas e longas, filmados na Ucrânia e desconsiderados pelo diretor como "fracassos" (eles ainda permanecem desconhecidos no Ocidente). Em 1964, entretanto, ele realizou Cavalos de Fogo/Shadows of Our Forgotten Ancestors>1, história de amor no estilo Romeu e Julieta transcendendo o trágico feudo familiar. Ambientado nos Cárpatos, o estilo extravagante do filme (fluidos movimentos de câmera, uma narrativa pontuada por músicas e danças folclóricas e bizarras cores não-naturalistas) anunciavam um talento visionário aparentemente mais antenado com um passado pagão que com o realismo socialista adotado por seus colegas. De fato, sua sensibilidade poética encontrava pouca acolhida entre as autoridades, que rejeitaram não menos que dez roteiros durante os cinco anos seguintes. Finalmente, em 1969, ele foi capaz de realizar A Cor da Romã/Sayat Nova>2, sobre a vida do poeta do século XVIII Sayat Nova contada, não através de uma narrativa linear convencional, mas através de sequencias de tableaux semelhantes a ícones altamente estilizados e frequentemente estáticos. Esses são ainda notáveis por sua beleza surreal e um simbolismo nacionalista e arcano, grandemente impenetrável para o público ocidental - o poeta, por exemplo, é interpretado por um homem e uma mulher. O filme, entretanto, encontrou uma desaprovação oficial como sendo "hermetico e obscuro"; ele foi cortado, reeditado e teve um lançamento limitado somente cinco anos após ser completado. Pior ainda, em 1973 Paradjanov foi acusado de vários crimes, incluindo homossexualidade e tráfico de objetos artísticos, e sentenciado a oito anos de trabalhos forçados. Somente em 1978, após protestos tanto dentro da Rússia quanto no estrangeiro, ele foi liberto.

O eventual retorno do diretor à realização, em 1984, foi tipicamente desafiador: A Lenda da Fortaleza Suram/The Legend of the Suram Fortress>3, ainda que mais fácil de ser seguido que seu longa anterior, foi uma celebração igualmente densa de uma Geórgia mítica, contando a história de um casal que se tornaram pais do salvador da nação, um jovem que deu sua vida para ser enterrado como parte dos muros de uma fortaleza estratégica que está ruindo. Novamente, o tratamento é ritualizado, poético e pictórico, ao mesmo tempo cinematograficamente moderno e imbuído com um amor pelo arcaico e pagão. Com o advento de um clima político e cultural mais simpático a uma arte soviética não-ortodoxa, foi permitido ao filme de Paradjanov ser lançado no Ocidente; a seguir ele faria o curta Arabesques on the Pirosmani Theme, um tributo a um pintor folclórico georgiano e Ashik Kerib, a última parte da trilogia dos filmes-tableaux que se inicia com A Cor da Romã e continua com A Lenda da Fortaleza Suram. Há expectativas que o seu longamente planejado épico, The Lay of Igor, também venha a ser concretizado.

Embora os filmes de Paradjanov sejam talvez inevitavelmente obscuros para as plateias ocidentais, sua originalidade é impressionante e a pura sensualidade de suas imagens permanece tanto poderosa quanto surpreendente.

Cronologia
É possível situar a poética de Paradjanov numa tradição que remonta a Dovjenko. Ele próprio confessou sua admiração por Pasolini pelo realizador armeno Artevadz Pelechian.

Destaques
1. Cavalos de Fogo, URSS, 1964 c/Ivan Nikolaichuk, Larissa Kadochnikova

2. A Cor da Romã, URSS, 1969, c/Sofiko Chiarelli, M. Aleksanian, V. Galstian

3. A Lenda da Fortaleza Suram, URSS, 1984 c/Dodo Abashidze, Veneriko Andzhaparidze, Sofiko Chiarelli

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