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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Filme do Dia: Lugares Comuns (2002), Adolfo Aristarain

Lugares Comuns (Argentina/Espanha, 2002). Direção: Adolfo Aristarain. Rot. Adaptado: Rodolfo Aristarain & Kathy Saavedra, baseado no romance de Lorenzo F. Aristarain. Fotografia: Porfírio Enriquez. Montagem: Fernando Pardo. Dir. de arte: Abel Facello. Com: Federico Luppi, Mercedes Sampietro, Arturo Puig, Carlos Santamaría, Valentina Bassi, María Fiorentino, Claudio Rissi, Osvaldo Santoro.
Fernando (Luppi) é um professor aposentado compulsoriamente que entra em crise por ter que se afastar de seu emprego com rendimentos mínimos e com a ajuda da fiel esposa, Liliana (Sampietro), decide visitar o filho bem sucedido e rico que mora na Espanha, Pedro (Santamaría), a quem Fernando não perdoa ter traído seus próprios ideais. O encontro entre pai e filho é conflituoso e ao retornarem à Argentina, o casal vende o apartamennto em que mora e vai viver numa chácara para conseguir sobreviver mais de acordo com seus padrões. Fumante inverterado, Fernando contrai uma pneumonia e morre pouco depois da chegada do filho. Liliana é convidada pelo filho para morar na Espanha, mas decide permanecer só.
Típico drama familiar de classe média, onde tal como As Invasões Bárbaras, a relação entre os conflitos familiares e a situação dos países onde se desenvolvem os mesmos é traçado pela ótica igualmente de um professor intelectual aposentado que sente uma relação ambígua de fascínio/desprezo pela geração pragmática do filho, que ao mesmo tempo é vítima de sua crítica e sustenta os sonhos futuros ou uma morte mais assistida (caso do filme de Arcand). Tal como no filme canadense, há um olhar crítico para uma certa decadência da própria nação, sendo seus protagonistas veículos aparentemente involuntários para essa metáfora e a fuga dos filhos para os países metropolitanos europeus (no caso aqui diretamente o país colonizador, no caso do filme de Arcand, a Inglaterra) a forma de conseguirem fugir de um futuro medíocre. Em ambos os casos, ou o horizonte de utopia é subitamente truncado (os planos de Fernando criar uma perfumaria) ou ele sequer existe mais há já bastante tempo (caso do filme de Arcand), ainda que no último se acene para uma ligeira redenção possível na aparente mudança de atitude perante à vida por parte do filho. Não é preciso ressaltar, principalmente no caso do filme em questão, que o mesmo diagnóstico vale para o contexto nacional na qual as narrativas se inserem.  O resultado final, ainda que longe de original, tem reforçado um certo tom de se trabalhar os dramas cotidianos pelo cinema argentino, ainda que numa chave mais emotiva, dramática e clássica que as micro-narrativas condensadas num curto período de tempo em Histórias Mínimas, que se detém em personagens de classes sociais menos favorecidas. Por outro lado, não possui o talento visual e/ou narrativo que impregna os igualmente recentes O Pântano e Do Outro Lado da Lei. INCAA/Pablo Larguia Producciones/Shazam S.A/TVE/Tornasol Films S.A/Via Digital. 110 minutos.

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