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domingo, 7 de junho de 2015

Filme do Dia: A Primeira Noite de um Homem (1967), Mike Nichols

A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, EUA, 1967). Direção: Mike Nichols. Rot. Adaptado: Caldar Willingham & Buck Henry, a partir do romance de Charles Webb. Fotografia: Richard Surtees. Montagem: Sam O’Steen. Dir. de arte: Richard Sylbert. Cenografia: George R. Nelson. Figurinos: Patricia Zipprodt. Com: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross, William Daniels, Murray Hamilton, Elizabeth Wilson, Buck Henry, Brian Avery.
      Benjamin (Hoffman) é um jovem de classe média alta recém-formado que sente-se mal com o grupo social dos amigos de seus pais e no dia de comemoração de sua festa de formatura é seduzido pela melhor amiga deles, a Sra. Robinson (Bancroft). Os dois passam a ter encontros fortuitos em um hotel, mas os pais de Benjamin o encorajam a sair com a filha da Sra. Robinson, Elaine (Ross). Eles saem. Inicialmente impertinente e distante, Benjamin, que a levara para um clube de strip-tease, apaixona-se  por ela. Os dois passam a namorar, porém a relação rapidamente é interrompida pela descoberta de Elaine de que Benjamin tivera um caso com sua mãe. Benjamin vai para Berkeley, seguindo os passos de Elaine e a descobre com um pretendente a casamento, Carl (Avery), de formação batista. O pai de Elaine, visita Benjamin e o alerta para se manter afastado da filha. Quando descobre que Elaine se encontra em vias de casar, vai desesperado a seu encontro e a chama do altar, fugindo os dois diante da estupefação de todos.
        Considerado, juntamente com Bonnie & Clyde como o filme que demarcaria o surgimento da New Hollywood, a partir da incorporação de elementos estilísticos do cinema autoral europeu dando vazão a um novo frescor na produção dos grandes estúdios que exerceria extrema influência sobre o que veio após, provavelmente o filme despertou maior apreço imediato pelo tom esquemático, ainda que oblíquo com o qual flertava com a contracultura contemporânea. De fato, pretende-se criar uma identificação irrestrita para com seu protagonista, vivido com brio pelo então iniciante Hoffman, em sua segunda participação de um filme para cinema. Algumas vezes tal identificação chega a ser até mesmo visual, como o momento em que somos obrigados a compartilhar a angústia e humilhação de Benjamin ao ser submetido, com trajes de mergulho, a adentrar a piscina da casa – sua imagem solitária e tosca nos clama por simpatia. Doutras vezes, ela é construída sobre elaborações fantasiosas na qual sua consciência culpada observa seus pais, amigos deles e a Sra. Robinson a traçarem comentários sobre si, numa estratégia visivelmente influenciada por Fellini. Por fim, em contraposição a ele, todos os personagens maduros são chapados e ainda menos definidos que o próprio Benjamin, que ainda conta com o efetivo auxílio da bela trilha de canções de Simon & Garfunkel, numa das primeiras apropriações da música pop sobre a trilha sonora convencional em uma produção de grande alcance de público (algo que realizadores independentes haviam utilizado de forma mais radical e menos adaptada a imperativos narrativos anos antes como Scorpio Rising, de Kenneth Anger). Dos “adultos” apenas sabemos dos sobrenomes numa apropriação de mundo através de um ego narcísico que seria reatualizada por diversos filmes posteriores, notadamente Beleza Americana. Aqui, ao contrário de seu anterior Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, Nichols conseguiu um equilíbrio mais palatável para um público mais amplo entre contestação e conformismo, ao tornar tudo dotado de uma suavidade que exclui a ironia sardônica e auto-destrutiva daquele, que mais parece representar os personagens da geração dos pais do casal, despidos por completo do véu da hipocrisia. Apesar  da cena em que Benjamin faz uso da cruz da igreja para trancafiar os convidados do casamento enquanto foge com Elaine, o  personagem de Benjamin se encontra anos-luz de ser um típico rebelde de sua geração, vestindo paletós e roupas mais comportadas e negando ser um manifestante ao chegar a pousada onde se hospeda em Berkeley. Sua revolta é vivenciada sobretudo interiormente, apenas se expressando ao final e, ainda assim, longe de ter qualquer proporção que vá além de seu círculo pessoal de amigos e família. Jeanne Moreau, Judy Garland, Susan Hayward e Ava Gardner chegaram, dentre várias outras,  a ser cogitadas para o papel da Sra. Robinson. Lawrence Turman/Embassy Pictures para Embassy Pictures.  National Film Registry em 1996. 106 minutos.


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