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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Filme do Dia: Cinema de Lágrimas (1995), Nélson Pereira dos Santos

Cinema de Lágrimas (Brasil, 1995). Direção: Nélson Pereira dos Santos. Rot. Adaptado: Silvia Oroz & Nélson Pereira dos Santos, baseado no livro Melodrama: O Cinema de Lágrimas da América Latina, de Oroz. Fotografia: Walter Carvalho. Música: Paulo Jobim. Montagem: Luelane Corrêa. Cenografia e Figurinos: Silvana Gontijo. Com: Raul Cortez, André Barros, Christiane Torloni, Patrick Tannus, Cosme Alves Neto, Silvia Oroz.
      A morte misteriosa da mãe (Torloni), quando tinha quatro anos, faz com que o hoje famoso diretor de teatro Rodrigo Ferreira (Cortez), contrate o jovem estudante Yves (Barros), para acompanha-lo em suas pesquisas na cinemateca mexicana. Sempre esquivo, o jovem revela os trágicos motivos que o afastaram de Rodrigo (envolvimento com drogas, AIDS) e, após seu retorno ao Brasil, manda-lhe uma carta, onde afirma que encontrara o filme que Rodrigo há tanto buscava. Esse o assiste e se emociona, achando ter encontrado Yves num festival que homenageia o Cinema Novo.
        Embora a proposta de investigar, bem ou mal, o hoje pouco conhecido melodrama latino-americano tenha ganhado uma roupagem até mais criativa que a maioria das outras co-produções que o British Film Institute realizou para celebrar o centenário do cinema, ao escolher trabalhar com uma ficção que procura efetivar um triângulo entre o passado do protagonista, sua situação de envolvimento atual e o que transcorre nas telas, o resultado final é grandemente indigente. Para tanto colaboram a inverossímil situação e o péssimo desenvolvimento dramático da situação, contrapondo o emocionalismo de Rodrigo com as explicações pedantes e acadêmicas de Yves que, ao mesmo tempo que irritam Rodrigo, provocam semelhante efeito na platéia (sofisticado exercício metanarrativo?). Tendo desperdiçado a chance de aproveitar melhor a engenhosa idéia de interação entre o filme e aqueles que o assistem, resta, digno de nota, pouco mais que os breves planos que apresentam uma dança folclórica em uma praça mexicana, repleta de uma energia e vitalidade ausentes no filme (outra metáfora: o que importa é a vida, dane-se o cinema?). Apresenta cenas de, entre outras produções argentinas e mexicanas,  produzidas entre as décadas de 1930 e 1950, Distinto Amanhecer, Lupe, La Mujer Del Porto, Historia de un Grand Amor, Camelia, La Diosa Arrodillada, Doña Diabla, Armiño Negro, Victimas del Pecado e Abismos de Pasión. Esse último pertencendo, curiosamente, a fase melodramática de Buñuel, diferenciando-se do restante pela utilização, no mínimo estranha, de Wagner na trilha sonora (a mesma Liebstod já utilizada em Um Cão Andaluz) e pela aproximação subliminar com a necrofilia (que seria mais explicitamente abordada em uma seqüência hilariante de O Fantasma da Liberdade). Também aparece, na seqüência final, uma homenagem ao Cinema Novo, representado por seu mais famoso filme, Deus e o Diabo na Terra do Sol e na composição de Caetano Veloso que presta um tributo ao movimento e acompanha os créditos finais. O filme é dedicado a Fabiano Canosa, grande entusiasta do cinema nacional.British Film Institute/Meta Video Produções. 95 minutos.


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