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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Filme do Dia: Anjos do Arrabalde (1987), Carlos Reichenbach

Anjos do Arrabalde (Brasil, 1987). Direção e Rot. Original: Carlos Reichenbach. Fotografia: Conrado Sanchez. Música: Luiz Chagas & Manoel Paiva. Montagem: Eder Mazzini. Dir. de arte: Sebastião de Souza. Com: Betty Faria, Clarisse Abujamra, Irene Stefânia, Vanessa Alves, Ênio Gonçalves, Emilio Di Biasi, Ricardo Blat, Cilas Gregório, José de Abreu.
Três professoras de uma escola suburbana e uma manicure em suas relações profissionais e afetivas. Dália (Faria), ainda que lésbica, mantém uma relação próxima com o amigo e editor, Carmona (Di Biasi), sendo seduzida pelo próprio irmão marginal, Afonso (Blat). Mesmo bem sucedida profissionalmente, é discriminada na escola por suas preferências. Carmo (Stefânia), oprimida pelo marido machista e ex-policial Henrique (Gonçalves), finge ter abandonado por completo o emprego, mas lhe diz que apenas pedira um afastamento e pretende retornar a ele. Rosa (Abujamra) é mulher solitária e afetivamente problemática, mantendo uma relação pouco prazerosa com o inspetor da escola, Soares (Abreu), estendendo seu descontentamento para a própria profissão. Aninha (Alves) é a manicure pobre que provocará um crime trágico, extrapolando a ação cotidiana de todos para além da intimidade dos mesmos.
Ao explorar o universo do subúrbio a partir da ótica sobretudo feminina das personagens principais, Reichenbach comete em dose talvez acentuada os mesmos deslizes presentes em trabalhos posteriores com temática semelhante, tais como Garotas do ABC (2004). Na sua busca por uma poética que se afaste do drama burguês usual, o filme encontra não poucos obstáculos que vão desde a sofrível direção de atores até a mal costurada e dispersiva conexão dos subenredos e os pouco originais clichês sociais atrelados à trama, que ressaltam a violência com traços por vezes involuntariamente ridículos. Para complicar, além do crime no qual Aninha se vê envolvida, espécie de catarse cumulativa vivida por todos os personagens, principalmente os femininos, do filme, o cineasta ainda faz questão de apresentar em paralelo o suicídio de Rosa. O tom canhestro da maior parte das interpretações, com destaque para Ênio Gongalves e o ritmo frouxo da narrativa são evocativas da dramaturgia presente nas pornochanchadas produzidas na década anterior, gênero ao qual o próprio Reichenbach chegou a assinar alguns títulos. Embora a precariedade possa sugerir uma identificação com o próprio meio social retratado, seu realismo social se encontra a anos-luz da eficácia de realizadores que buscaram estratégias semelhantes como Ken Loach na Inglaterra ou mesmo Ricardo Elias no Brasil com seu De Passagem (2003). Embrafilme/Produções Cinematográficas Galante/Transvídeo. 87 minutos.

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