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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Filme do Dia: Gabbeh (1996), Mohsen Makhmalbaf

Gabbeh (Gabbeh, Irã/França, 1996) Direção: Mohsen Makhmalbaf. Rot.Original: Mohsen Makhmalbaf. Fotografia: Mahmoud Kalari. Música: Houssein Alizadeh. Montagem: Mohsen Makhmalbaf. Com: Shaghayegh Djodat, Hossein  Mohrami, Roghieh Moharami, Abbas Sayahi.
         Garota chamada Gabbeh (Djodat) procura de todas as maneiras burlar os homens e as mulheres da aldeia e fugir com o cavaleiro que a persegue. Frustrada em todas as tentativas, quando consegue finalmente é assassinada juntamente com ele por um membro da aldeia que vira a fuga. Gabbeh ao mesmo tempo vive a história e a narra com a participação de um velho senhor (Moharami) e de uma velha senhora, que logo percebemos serem - e não serem -  uma representação do casal na velhice  . Através do tapete  - gabbeh - que a velha senhora  lava no início do filme aparece a imagem da jovem que passa a contar sua história.
       O filme é de extremo hermetismo com inúmeras simbologias com relação aos tapetes (inclusive na exuberantemente original fotografia) de difícil compreensão talvez até para os iranianos e completamente obscuras para nós. O que fica de mais perceptível é que os tapetes simbolizam a própria vida e anseios e expectativas daqueles que os fazem. Outro elemento que não ajuda é a ausência aparente  de conflitos na narração dessa história (e como dizia o célebre fotógrafo de cinema Gabriel Figueroa, sem conflito não há cinema) - até o conflito principal do filme parece  perder muito de sua força nessa narrativa que teima em sua heroica austeridade. Tudo parece extremamente idílico na descrição dessa comunidade tradicional no sentido pleno da gemeinschaft de que falava Tönnies, pelo menos até a metade do filme. Só posteriormente é que percebemos que o conflito é trabalhado de uma forma extremamente sutil. Os esforços seguidos da protagonista fazem lembrar tanto o celebrado Através das Oliveiras de Kiarostami quanto e, principalmente, O Balão Branco (1995), de Jafar Panahi, ambos mais acessíveis. Porém não há como não ficar fascinado por este estranho realismo e atmosfera original que parecem estar presentes em todas essas produções do novo cinema iraniano, principalmente nos primeiros minutos do filme, com frequentes incursões em formas ousadas de desenvolver a narrativa cinematográfica, como na aula do tio de Gabbeh (Sayahi). O filme conta ainda com um motivo comum a boa parte da nova filmografia iranianiana: a da relação entre vida e arte, ainda que não chegue ao ponto de utilizar-se de metalinguagem como o filme de Kiarostami  e em Salve o Cinema, do próprio Makhmalbaf.  Dos filmes citados, provavelmente este é o que mais trabalha com experiências na montagem e no fluxo narrativo. A situação da opressão feminina também é trabalhada, constituindo como percebemos o próprio eixo da trama.  Não há como não fazer paralelos com a  obra de Paradjanov, em filmes como A Lenda da Fortaleza Suram. MK2 Productions/Sanaye Dasti.  85 minutos.

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