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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Filme do Dia: Um Amor de Vizinho (1964), David Swift

Um Amor de Vizinho (Good Neighbour Sam, EUA, 1964). Direção: David Swift. Rot. Adaptado: James Fritzell, Everett Greenbaum & David Swift, a partir do romance de Jack Finney. Fotografia: Burnett Guffrey. Música: Frank De Vol. Montagem: Charles Nelson. Dir. de arte: Dale Hennesy. Cenografia: Ray Moyer. Figurinos: Micheline & Jacqueline Moreau. Com: Jack Lemmon, Romy Schneider, Dorothy Provine, Michael Connors, Edward G. Robinson, Edward Andrews, Louis Nye, Robert Q. Lewis, Joyce James.
Sam Bissel (Lemmon) leva uma vida tranquila com a esposa Minerva (Provine) e suas duas filhas pequenas até a chegada de uma amiga francesa de Dorothy, Janet Lagerlof (Schneider), que se torna vizinha do casal e logo recebe a notícia de que herdará 15 milhões de dólares de um tio falecido, caso comprove que se encontre casada. O casal Bissel pretende ajuda-la, fazendo Sam se passar por seu marido, mas tudo se torna ainda mais complicado com a chegada do ex-marido de Janet, Howard (Connors), e com a decisão da agência de publicidade no qual Sam trabalha de divulgar uma campanha publicitária em outdoors, que pretende capitalizar em cima de um casal comum, no caso Sam e Janet. Os dois casais ainda tentam driblar os espiões plantados próximos de suas residências, por uns primos distantes do falecido, que pretendem se apoderar da fortuna dele.
Aproveitando-se de uma relativa distensão do Código de Produção que havia norteado a moral a ser apresentada pela produção hollywoodiana, gerando um ciclo de comédias sofisticadas de apelo erótico mais (caso de Médica, Bonita e Solteira) ou menos saliente (como é o caso desse), o filme se aproveita igualmente da persona já demarcada de Lemmon como o americano médio e sua possibilidade de transgressão dessa rotina família-trabalho. Lemmon encarna uma certa criatividade sufocada que se dirige para a elaboração de engenhocas sem o menor senso de praticidade, modo pelo qual consegue criar um escape para o modorrento universo do trabalho; evocado, a determinado momento, de forma explícita, como um bando de cordeiros dentro de um carro. Schneider, por sua vez, encarna uma versão mais sutil e menos debochada da mulher que exala sex appeal e ameaça ruir também com o universo doméstico do herói, que havia sido encarnada a perfeição por Marilyn Monroe na década anterior. A narrativa se assegura de deixar o campo livre para que a evocação da possibilidade de um swing (tampouco consumada no posterior Bob&Carol&Ted&Alice) se delineie, após a avó ter se encarregado de levar as filhas para um providencial passeio, que dura exatamente o tempo necessário para  o desdobramento, algo atravancado e pouco conciso, da trama venha a ocorrer – boa parte do tempo excessivamente dedicado aos mecanismos de se fazer burlar a vigilância, numa metáfora que bem poderia caber ao próprio filme, sendo que em ambos os casos o resultado é fracassado, nem os verdadeiros casais conseguindo permanecer juntos  a noite nem tampouco o filme conseguido ir além da fantasia da traição. Como tal fantasia é indolor e inodora, pode-se vivencia-la sem comprometer em nenhum segundo a chave da comédia leve, já que domesticada a “ameaça externa”, representada pela mulher sensual e estrangeira, pode-se voltar sem sobressaltos à situação anterior de harmonia conjugal e familiar. Columbia Pictures.

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