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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Filme do Dia: Cronicamente Inviável (2000), Sérgio Bianchi




Cronicamente Inviável (Brasil, 2000). Direção:  Sergio Bianchi. Rot. Original: Sergio Bianchi & Gustavo Steinberg. Fotografia: Marcelo Coutinho  & Antonio Penido. Música: Arrigo Barnabé. Montagem: Paulo Sacramento. Dir. de arte: Beatriz Bianco,  Jean-Louis Leblanc &  Pablo Vilar. Com: Zezeh Barbosa,   Daniel Dantas,  Betty Gofman,  Umberto Magnani, Cláudia Mello, Zezé Motta, Dira Paes,  Rodrigo Santiago, Dan Stulbach,  Cecil Thiré, Leonardo Vieira.
Através de breves sketches o cineasta procura apresentar um painel pessimista do Brasil atual e as origens desse “aborto” que remontam aos 500 anos de presença europeia. O resultado é muita pretensão para pouca solidez de argumentos. Tal fato torna-se um grave falha para um filme que se importa menos em descrever, nos moldes da narrativa convencional, o grupo de amigos que se reúne em um restaurante chique paulista e suas relações cotidianas, que em utilizá-los para ilustrar as “grandes idéias” que o cineasta chegou. A acidez e o niilismo que o cineasta explora ao longo do filme (presença marcante na cinematografia americana recente, com outras intenções e um suporte psicológico bem mais desenvolvido em filmes como Felicidade, Magnolia e Beleza Americana) acabam por lhe conduzir a uma postura tacanha e cômoda, tipicamente classe média, em que o intelectual aborda tudo criticamente do cimo de sua torre de cristal e que tem no personagem do sociólogo de meia-idade que viaja pelo país afora seu maior exemplo. Mesmo que o intelectual que aparenta ser o único personagem moralmente acima do que descreve acabe por também demonstrar sua face podre, sua degradação somente vem a corroborar a ausência de um horizonte utópico que vá além do mero atestado de inviabilidade a que se propõe o filme. Ainda assim, possui o mérito de ser um dos poucos filmes da produção nacional recente que busca realizar uma reflexão sobre o momento atual e  não deixa de possuir sequências inspiradas, como a final, em que uma mulher de rua conversa com seu filho de colo sobre a necessidade dele se manter honesto, apesar de todo o sofrimento. Um paralelo pode ser traçado entre as suas pretensões intelectuais tipicamente de classe média e as contidas em Nós que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos. Por outro lado, Dezesseis Zero Sessenta, de forma mais modesta e equilibrada, também se propõe a uma reflexão semelhante sobre alguns dos conflitos sociais correntes. Prêmio da Juventude no Festival de Locarno. Agravo Producoes Cinematografica . 101 minutos.        

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