Filme do Dia: O Fantasma da Ópera (1925), Rupert Julian

 


O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, EUA, 1925). Direção: Rupert Julian. Rot. Adaptado:Walter Anthony, Elliot J. Clawson, Bernard McConville, Frank M. McCormack, Tom Reed, Raymond L. Schrock, Jasper Spearing, Richard Wallace, baseado no romance de Gaston Leroux.  Fotografia: Milton Bridenbecker, Virgil Miller & Charles Van Enger. Montagem: Edward Curtiss, Maurice Pivar & Gilmore Walker. Dir. de arte: Ben Carré, Charles D. Hall & Elmer Sheeley. Cenografia: Russell A. Gausman. Com: Lon Chaney, Mary Philbin, Norman Karry, Arthur Edmund Carewe, Gibson Cowland, John St. Polis, Mary Fabian.

O amor de Erik, o Fantasma da Ópera (Chaney) faz com que Carlotta (Fabian), cantora da Òpera de Paris, seja preterida por sua amada Christine Daae (Philbin). A insistência de Carlotta faz com que ela acabe sendo morta no palco, enquanto o Fantasma rapta Christine. Levando Christine aos seus aposentos, Erik faz um pacto para que ela possa ter uma carreira de sucesso. Que ela nunca retire sua máscara e que nunca mais volte a encontrar seu noivo, o Visconde Raoul de Chagny (Kerry). Para a fúria de Erik, Christine descumpre os seus dois pedidos.  Ela é presa nas catacumbas da própria Ópera, após ter sido novamente seqüestrada por Erik no dia de sua segunda apressentação, enquanto Raoul e o investigador Ledoux (Carewe) os procuram. Uma multidão se encontra enfurecida após a morte de um funcionário da Ópera, irmão de Simon Bouquet (Gowland).

Esse verdadeiro compêndio de arquétipos do melodrama e do romance gótico, incluindo uma tradicional peregrinação a uma “fortaleza” pela plebe revolucionária (mesmo que, no final de contas, Erik seja encurralado nas ruas e o herói seja menos burguês que um Visconde) e uma heroína cuja inocência é ameaçada, explicita os vestígios dessas duas tradições que remontam à Revolução Francesa, e a libertação pelo povo de uma moral reprimida pelos carrascos aristocratas. Apesar da impressionante dimensão dessa mega-produção, sobretudo no que diz respeito aos cenários, particularmente a minuciosa reconstituição da Ópera de Paris em estúdio e a as inúmeras câmaras e passagens secretas em seu subsolo, assim como sua ainda  eletrizante construção do suspense, o filme de Julian parece por demais preso às convenções de um cinema clássico e do seu próprio gênero para ir além como algumas realizações européias do período, notadamente Nosferatu (1922), de Murnau e Vampiro (1932), de Dreyer. Chaney, em seu papel talvez mais célebre e lembrado nos dias de hoje, ainda que sua parceria com Tod Browning tenha rendido filmes mais interessantes (tais como O Falcão Negro, no ano seguinte) sempre compôs sua própria maquiagem e não deixou de surgir em uma ponta com seu próprio rosto, como o empresário que vende a Ópera e alerta sobre o fantasma logo ao início. Ao enfatizar elementos presentes provavelmente no texto original, já adaptado pelo cinema alemão em 1916 e inúmeras outras vezes depois, notadamente e com brilho por Brian de Palma com seu O Fantasma do Paraíso (1974), o o filme abandona como secundária a trama mais interessante, e bem explorada por De Palma,  que enfatiza o pacto fáustico de Christine com o demônio, da artista vendendo sua alma pelo sucesso, ainda que ironicamente tal decisão somente seja tomada pela heroína quando esta vê realmente ameaçada a sua própria vida. Destaque para a seqüência em um processo pioneiro de Techinicolor, do baile de máscaras. Julian, que não conseguiu se firmar como diretor de sucesso, foi demitido antes do final da produção, tendo sido o filme também dirigido, ainda que sem menção nos créditos,  pelo próprio Chaney, por Ernest Laemmle, sobrinho do chefão do estúdio e por Edward Sedgwick (do notável O Homem das Novidades, com Buster Keaton). O sucesso dessa produção – essa versão é, de fato, um relançamento de 1929, com acréscimos e também com adição de uma trilha musical – pavimentou o caminho para o estúdio investir no gênero terror, sendo que alguns filmes posteriores voltariam a trabalhar com elementos aqui presentes, como o Frankenstein (1931), de Whale. Universal Pictures. 106 minutos.

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