Filme do Dia: Horizon: Uma Saga Americana: Capítulo 1 (2024), Kevin Costner
Horizon: Uma Saga Americana: Capítulo 1 (EUA, 2024). Direção Kevin Costner. Rot. Original Kevin Costner & Jon
Baird, a partir do argumento de Baird, Costner & Mark Kasdan. Fotografia J.
Michael Muro. Música John Debney. Montagem Miklos Wright. Dir. de arte Derek R.
Hill & Billy W. Ray. Cenografia Bryan Hurley. Figurinos Lisa Lovaas.
Maquiagem e Cabelos Shalyse Lopez & Kimberly Carlson. Com Kevin Costner,
Sienna Miller, Sam Worthington, Jena Malone, Abbey Lee, Owen Crow Shoe, Tatanka
Means, Michael Hooker, Tim Guinee, Danny Huston, Jamie Campbell Bower, John Beavers, Colin
Cunningham, Scott Haze, Tom Payne, Ella Hunt, Jena Malone, Charles Walford,
Michael Angarano, Owen Crow, Angus Macfadyen, Georgia MacPhail, Dale
Dickey.
1859, San
Pedro Valley. Um missionário (Macfadyen) encontra os cadáveres de um grupo de
pioneiros tentando estabelecer-se em território apache, mortos pelos índios,
dentre eles um garoto. Ele estabelece a cidade de Horizon. Uns poucos anos se
passam, e a emergente cidadela é vitimada por um sangrento ataque indígena sob
a liderança de Pionsenay (Crow). Frances Kittredge (Miller), perde marido e
filha. E, com o apoio da cavalaria, liderada pelo Tenente Gephardt
(Worthington) e o Major Riordan (Hooker), vai com a filha Elizabeth (MacPhail)
para um santuário sob proteção das forças militares. Frances se enamora de
Gephardt. Pionsenay discorda de uma liderança mais antiga de sua tribo, e parte
com um grupo para uma ação de retaliação contra os colonos. Em Montana, Lucy
(Malone) atira no companheiro James Sykes (Halford) e parte com seu filho pequeno, passando a
adotar o nome de Ellen Harvey. A matriarca da família (Dickey), invoca a
vingança e captura de Lucy. Ela se casa com o negociante Walter Childs
(Angarano) e compartilha a casa com a prostituta Marigold (Lee). Marigold seduz
o negociante de cavalos recém-chegado à cidade, Hayes Ellison (Costner). Walter
parte para negociar mais uma de suas vendas com Lucy. Eles se dão conta que os
compradores são os irmãos Sykes. Walter é morto por Caleb Sykes (Bower). O
irmão mais velho, Junior (Beavers), envia Caleb em busca do filho de Lucy.
Quando chega a cidade, Caleb e Ellison vão a casa de Marigold no mesmo momento.
A intenção de Caleb é matar Marigold e ficar com a criança, mas acaba sendo
morto por Ellison, que foge com Marigold e a criança. Instalados em um campo de
trabalho de uma ferrovia, Marigold abandona Ellison e o filho por um jogador
com quem dorme. Uma caravana parte pela trilha de Santa Fé rumo a Horizon. Nela
se encontram os pedantes ingleses Juliette (Hunt) e Hugh (Payne). Sem
conseguirem encontrar o grupo de Pionsenay para revidar sua ação, um grupo de
indígenas aleatório é massacrado e tirado o escalpo.
Costner
realiza seu Ouro e Maldição, dada a ambição da extensão e colorações
épicas desta produção, lançada em dois meses seguidos, e talvez igualmente o
fracasso comercial de ambas as empreitadas. Sem contar uma previsão futura de
mais dois outros filmes. Menos pelas histórias em si, que pelo conjunto delas,
um painel amplo, filtrado por um revisionismo do próprio gênero, mas sem
abdicar de sua perspectiva branca colonizadora. Que acertadamente Costner
reconhece como sendo herdeiro. Dentre as atualizações, com os requintes que a
tecnologia e o estilo de seu tempo trouxeram, temos a família branca cercada
por índios, trabalhada desde os tempos de Griffith e referida no clássico Rastros de Ódio. A extensão de sua metragem pode ser observada criticamente, e
provavelmente ainda mais sua trilha musical insistentemente insidiosa, mas é
ela que consegue promover o que de melhor o filme traz, que é um senso de
atenção ao detalhe. Há um caráter mais
humano nos sofrimentos e desacertos, sem abdicar de forma alguma da
figura do herói imbatível, capaz de se defrontar com uma figura perigosa e bem
mais jovem e craveja-lo de balas, mas também de perder sua amante, como reza a
tradição uma prostituta, mais atualizada menos para a imagem redentora da
mulher regenerada, como em muitos filmes com John Wayne, ou mesmo de uma
virtude insuspeita (caso de Onde Começa o Inferno), que de continuar a
agir como tal; além de bem mais fogosa que o cansado herói, quase a pedir
arrego na cena inverossímil do coito. No geral acerta ao buscar um elenco
isento de nomes demasiado chamativos, o que também acarretaria uma sobrecarga
em seu orçamento, com exceção justamente da protagonista feminina, a parecer
uma escalação equivocada, pois explicita muito mais uma mulher contemporânea
que da época retratada. E o detalhe de algumas crianças com dificuldade mais
incisiva que os adultos em falarem a língua indígena. Não deixa de existir uma
mofa para com o casal de ingleses almofadinhas e os habituais alívios cômicos a
evocarem o gênero no cinema clássico, mas Costner consegue um feito difícil, de
não enveredar por uma reavaliação do gênero (gender) no gênero (genre)
como algumas das produções mais comentadas dos anos anteriores ao seu
lançamento, mas tampouco ser um pastiche pós-moderno ou um filme que não acusa
a existência destas reavaliações – o quanto tudo é menos limpo e idealizado,
nos corpos e no ambiente, provavelmente seria impensável sem um filme como First
Cow. A cena em que Frances toma dianteira na sedução de Gephardt vai por
esta linha também. De sua metragem avantajada – ainda mais sobre a perspectiva
de quatro partes, duas delas ainda não produzidas quando da escrita desta
resenha – cabem outros comentários. Ela parece carregar a sina do excesso do
cinema estadunidense, sem dúvida, mas também de uma genuína fome de narrar
deslocada no cenário que foi produzido. Em tudo e por tudo dado a extremos que
atestam o quanto uma economia e sua decorrência política podem provocar ao
longo do tempo: de um lado uma produção numerosa-pipoca voltada para um público
cada vez mais infantil (ou infantilizado); do outro uma “independente” por
demais rançosa e guiada predominantemente por um sensibilismo a se acreditar
artístico ou ao menos digno de nota. Seu final é decepcionante ao apelar para
um clipe de situações que provavelmente serão desenvolvidas no segundo
“capítulo” (caberia melhor tomo) completamente em oposição ao estilo de montagem
do decorrer do filme. |New Line
Cinema/Territory Pictures Ent./Warner Bros. 181 minutos.![]()

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