Filme do Dia: 101 Dálmatas (1961), Clyde Geronimi, Hamilton Luske & Wolfgang Reitherman
101 Dálmatas (One
Hundred and One Dalmatians, EUA, 1961). Direção Clyde Geronimi, Hamilton
Luske & Wolfgang Reitherman. Música George Bruns. Montagem Roy M. Brewer
Jr. & Donald Halliday. Dir. de arte
Ken Anderson.
Pongo, um dálmata, vive com seu dono Roger, em um bagunçado
apartamento de solteiros. Ele tem uma ideia, arranjar uma namorada para o seu
dono. Quando essa, Anita, vem a ser dona de uma cadela atraente, Perdita, fica
definido o seu alvo, que não perde tempo em levar seu dono ao parque, onde
essas se encontram, forjando um encontro atrapalhado, mas que gerará casamento.
E alguns meses depois, uma ninhada de cãezinhos de nada menos de 15 filhotes.
Todos ameaçados por uma conhecida de Anita, Cruela De Vil, que pretende
transformá-los em casacos. Certo dia em que o casal vai passear com os pais da
cachorrada, uma dupla de malfeitores invade a residência, mesmo com sua criada
lá presente, e leva os filhotes. O retorno provoca o choque e a decepção,
sobretudo dos pais. Desesperado, Pongo reage, buscando solidariedade canina. Em
pouco tempo a notícia se espalha por Londres, e um gato, o Sargento Tibbs,
investiga e descobre que os cães se encontram num castelo abandonado, sob mando
de Cruela. Os pais se arriscam em meio à nevasca e lá descobrem que não se
encontram apenas seus filhotes, mas também outros 84. Eles conseguem fugir. E obtém
guarida, em meio às péssimas condições de temperatura, cansaço e fome, numa
fazenda, onde as vacas alimentam de bom gosto os filhotes. Cruela e seus
contratados, no entanto, estão no encalço dos bichos.
Décimo-sétimo longa do estúdio,
afastando-se do formato “conto de fadas”, com o qual havia ganhado maior
visibilidade, ainda que não pela primeira vez (além de musicais e produções
distintas de tudo o que produziu antes ou depois, como Fantasia, houve,
mais parecido com o modelo apresentado nesse longa, A Dama e o Vagabundo)
e também sendo o segundo em que a narrativa ocorre contemporaneamente (o
primeiro havia sido Dumbo), embora, há não ser por pequenos detalhes, e
pela forte presença da televisão (inclusive exibindo curtas do estúdio), a
dimensão histórica não parece tão precisa. Agrega a essa tentativa de
descolamento do modelo fabular que poderia soar descompassado com as mudanças,
inclusive estéticas, que a animação passava fazia já certo tempo, uma busca de
modernização (e também precarização) dos traços e a ausência de floreios, algo
que a música jazzística e os créditos iniciais, assim como a situação posta
imediatamente a seguir, envolvendo a voz over de seu narrador interno, um cão,
demonstram com certa vitalidade, mas que irá desaparecer tão rapidamente quanto
a figura do próprio narrador interno canino. A docilidade, trazida por suas
fadas e heroínas sob encanto, terá que se contentar com a fofura dos pequenos
cãezinhos, as feiticeiras se incorporarão a figura de uma decadente de
meia-idade, demasiado autocentrada em seus objetivos de consumo. Embora haja um
casal humano, esse parece se contentar em ter como “filhos” a farta ninhada
trazida pelo casal animal, que será multiplicada, em sua amplitude, com o anúncio de sua decisão final. Ou seja,
foge-se de sequer fazer com que as crianças imaginem que bebês surgiriam dessa
união. E, apesar de um ou outro dos filhotes terem seus nomes revelados e chamarem
atenção por alguma característica ou inabilidade específica, não há como
distingui-los de um oceano de uniformidade. Os créditos iniciais brincam com as
pintas que trazem a espécie, e que ganharão ainda maior popularidade após o
filme, seus relançamentos e novas versões. E o black body ao qual todos
se submeterão para tentarem enganar seus algozes ganhará simpatia do movimento
negro?| Walt Disney Prod. para Buena Vista Film Dist. Co. 79 minutos.

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