Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#152: Claudia Llosa

 


LLOSA, CLAUDIA. (Peru, 1976). Já um dos dois ou três realizadores peruanos mais bem sucedidos na história, após ter realizado somente dois longas, Claudia Llosa é também amplamente aclamada pela rica tessitura cultural nativa de sua obra e seu feminismo. Nascida em Lima, a sobrinha do premiado com o Nobel Mario Vargas Llosa, Claudia graduou-se na Universidade de Lima, com um diploma em Comunicação Social e então se mudou para Madri, onde estudou cinema de 1998 a 2001, na Escuela de Artes y Cine TAI. Seguiu-se a sua aprimoração em seus estudos de cinema, em direção, na New York University. Também começou a trabalhar no roteiro de seu primeiro longa e mudou-se para Barcelona, onde trabalhou com publicidade. Submeteu seu roteiro de Madeinusa ao Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, em Havana, onde venceu o primeiro prêmio. Também realizou seu primeiro filme, um curta, Seeing Martína, em 2004. 

Madeinusa (Magaly Solier) é uma adolescente indígena falante de quíchua de 14 anos que vive na ficcional vila andina de Manayacuna (que significa "a cidade que ninguém pode entrar") com sua irmã e pai. Ela está competindo pelo título de "Virgem Imaculada" durante o bastante estranho festival sincrético da "Semana Santa", incluindo a Páscoa, onde todos os códigos morais são abandonados porque Deus se encontra morto e, portanto, o pecado não existe. À noite, o pai, que também é o prefeito, aconchega-se na cama entre as duas filhas, antecipando o momento de tirar a virgindade de Madeinusa. Um estrangeiro (gringo) nada bemquisto, chamado Salvador (Carlos de la Torre) adentra a vila e Madeinusa vê nele a sua saída de sua armadilha incestuosa. O festival inventado é extremamente colorido, e Llosa brilhantemente intercala entre os vívidos e barulhentos procedimentos completos com música e fogos de artifício e a silenciosa intriga familiar que se torna mortal. Madeinusa estreou no Festival de Roterdã e no Festival de Sundance, em janeiro de 2006, ganhando, respectivamente, o FIPRESCI e o Grande Júri. Também venceu os prêmios no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata (Argentina), no Festival de Lima, e no Festival Internacional de Cinema de Cartagena (Colômbia, 2007). O filme foi criticado por seu imaginário indígena, práticas religiosas sincréticas, e talvez em resposta, Claudia Llosa, baseou a história raiz de seu segundo filme, La Teta Asustada (A Teta Assutada, 2009), um estudo antropológico das mulheres indígenas peruanas estupradas pelas guerrilhas do Sendero Luminoso e as forças militares do Peru, filmado em sua maior parte em quíchua. 

A Teta Assustada é ainda mais "realista mágico" em sua encenação em tableau de cerimônias de casamento, e a diretora tem falado de quão cuidadosamente ela prepara o tratamento visual do filme de seus filmes, suas cores, enquadramentos, ritmo, e criação de storyboards. Para ela, "ideias" e "atmosferas" são os componentes verdadeiramente importantes de seus filmes, e os elementos detalhados de personagens e histórias evoluem e se repetem. Llosa foi feliz em trabalhar com Solier novamente como sua personagem principal de Fausta, e a centralidade de sua jovem e a interpretação hipnótica de Solier talvez de ao público um melhor senso do sofrimento e opressão sentido pelas mulheres sul-americanas em geral, e as indígenas em particular, mas que qualquer outro filme. Naturalmente vencendo o Urso de Ouro em Berlim significou que A Teta Assustada seria visto ao redor do mundo, e o filme é certamente é um dos poucos exemplos de cinema latino-americano que casa tanto a fantasia mágica com o realismo duro da grande literatura ficcional do continente no século XX. Desde então tem dirigido episódios para duas séries televisivas e um curta de vinte minutos, Loxoro (Espanha/Peru/Argentina/Estados Unidos, 2012), que venceu um prêmio em Berlim.

Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 370-71.

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