Richard
III (França/EUA, 1912). Direção: André Calmettes & James Keane. Rot.
Adaptado: James Keane, a partir da peça de Shakespeare. Com: Frederick Warde, Robert Gempe, Albert Gardner,
James Keane, George Moss, Howard Stuart, Virginia Rankin, Violet Stuart,
Carlota De Felice.
Edward de Lancaster (Gardner) é assassinato na
Batalha de Tewkesbury. O último representante da casa dinástica, Henry, tem o
mesmo fim nas mãos do infame Richard (Warde), quando o visita na prisão.
Richard semeia a discórdia na corte. O Duque de Clarence recebe uma ordem de
prisão. E é combalido e contra sua vontade que o Rei Edward IV (Gemp) decreta a
pena de morte de Clarence. Pouco depois, o próprio mornarca morrerá em seu
leito. Os infantes príncipes Edward (Stuart) e York (Rankin) são trazidos à Corte.
Com a morte do Rei, e manobras internas efetuadas por Richard, ele é sagrado o
novo rei. Ricardo ordena que os jovens príncipes sejam confinados na torre do
castelo. E algum tempo depois, ambos são assassinados. Richard deseja se casar
com a Princesa Elizabeth (De Felice), filha do falecido rei. A mãe de Elizabeth
escreve uma carta pedindo ajuda ao Duque de Richmond (Keane). Esse
imediatamente parte para encontra-las e afirma seu compromisso para com
Elizabeth. Richard parte para a batalha contra o Duque de Richmond. Na véspera
da mesma, ele sonha. Suas vítimas o acusam. A batalha do campo de Bosworth.
Nela, não apenas as duas tropas se digladiam, como o mesmo ocorre entre o Duque
de Richmond e Richard. Richard morre.
Ter como princípio o
mesmo episódio a morte do Príncipe Edward na Batalha de Tewkesbury e ter sido
lançado no pequeno intervalo de menos de um ano e meio após o seu homônimo não
transforma essas duas versões da peça de Shakespeare produzidas, a anterioir em
seu rincão natal, esta nos Estados Unidos, nada próximas. Embora ainda se
encontre longe da fluidez da narrativa clássica, os episódios surgindo a partir
de cartelas e de sua divisão por partes, o filme toma grande partido do
perspectivismo e das tomadas em locações, ausentes no anterior. As crianças do
sexo masculino, comumente portadoras de trajes e visual habitualmente
femininos, são representadas em um dos casos por uma menina. Fazer uso de
locações não impede que tampouco se deixe de fazer uso de cenários tão
estilizados quanto os que se viam anos antes. Aqui a deformidade física do
personagem é menos acentuada enquanto manco e mais como portador de uma forma
de andar grotesca e atarracada, mais sugerindo que apresentando sua corcunda. O
sonho é representado segundo os cânones do Primeiro Cinema, com umas breves
sobreposições na imagem. Destaque para a presença maciça de Keane no projeto,
tendo co-dirigido, roteirizado e atuado; seu co-diretor, Calmettes, é associado
com o film d’art francês, já famoso
por produções como O Assassinato do Duque de Guise (1908), e cuja produtora homônima co-financiou essa
produção, raro exemplo de cooperação internacional à época. E também para as
mesuras ao início e final, em uma estratégia tipicamente teatral que não se
coaduna com o enfrentamento cinematográfico que foi dado ao texto, de um Warde
que rouba a cena com seu Richard. Warde foi um dos mais populares atores
shakespearianos no palco no último quarto do século anterior, sendo que sua
carreira já se encontrava em declínio quando enveredou, a partir desse filme,
pelo cinema. Tido como primeiro longa
norte-americano e também a primeira adaptação nesse formato de
Shakespeare. Considerado perdido por
décadas, até que uma cópia foi descoberta em uma coleção particular em 1996. Le Film d’Art/M.B.
Dubley Amusement Co./Sterling Camera and Film Co. 53 minutos.
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