Filme do Dia: A Husband's Confession (1965), Fatin Abdel Wahab
A Husband’s Confession (Iterafat Zoj, Egito, 1965). Direção:
Fatin Abdel Wahab. Rot. Original: Yousef Essa & Ali Elzarkany, a partir do
argumento de Essa. Fotografia: Kamal Kareem.. Música: Michel Youseff. Montagem:
Hussien Ahmed. Dir. de arte: Maher Abd Elnour.
Com: Fouad El-Mohandes,
Shoueikar, Hind Rostom, Mary
Mounib, Youssef Wahbi, Nadia Elnikrashy, Abdel Khaleq Saleh, Ahmed Ramzy.
Waheed (El-Mohandes) possui um sonho
erótico com a vizinha Boussa (Rostom), no dia do sétimo aniversário de seu
casamento com Lattifah (Shoueikar). Para
acobertar seu próprio desejo pela vizinha, o genro de Waheed, Aziz (Wahbi),
inventa uma maluca história de traição de Waheed, inclusive afirmando que
Boussa se encontra grávida dele. Enquanto isso, Boussa, sem nada saber do
ocorrido ao lado, planeja fazer de conta que flerta com Waheed apenas para
fazer ciúmes com o seu verdadeiro objeto de desejo, Essam (Ramzy).
Desde os seus créditos iniciais, assim
como a música que o acompanha, o filme pretende ser uma espécie de
equivalente egípico às "comédias sofisticadas" norte-americanas de poucos anos
antes: ritmo musical próximo do pop, ilustrações que tentam ser espirituosoas –
embora aqui mais voltadas para o universo da produção de um filme que
vinculadas à sua diegese, como nos seus pretendidos equivalentes americanos.
Tal como aqueles, certamente, trata-se de uma comédia que traduz, em última
instância, as angústias provocadas pelas mudanças nos códigos de conduta
relativos ao patriarcalismo familiar. Como em O Pecado Mora ao Lado (1955), uma vizinha loura e pneumática -não
por acaso aliás, vivida por Hind Rostom, conhecida como a Marilyn egípcia,
nascida no mesmo ano da atriz - tira o sono do marido. Diferentemente daquele,
no entanto, a mulher se encontra não apenas em sua casa, mas ao seu lado da
cama quando ele investe em ir na casa da vizinha; é o aniversário de 7 anos do
casamento deles (o título original do filme de Wilder diz respeito justamente
ao comichão do sétimo ano) e essa está
longe de ser ambígua ou ingênua como Monroe. Ao menos, aparentemente, pois a
entrada farsesca da esposa a atirar quando os dois trocam beijos logo demonstra
ser mero produto da fantasia do protagonista. Torna-se claro que o filme não
apenas deseja se espelhar no modelo americano, em termos de gênero, mas de soar
ocidentalizado, ao escolher personagens da alta burguesia egípcia, que podem
fazer uso dos figurinos e óculos escuros mais extravagantes, dirigir
conversíveis como os americanos e terem uma vista de um clube que emula Cannes.
As interpretações, próprias de um teatro de revista, em seu proposital escracho
– sobretudo as de El Mohandes e Mounib -
não soam, portanto, estranhas a uma chanchada brasileira. O machismo
evidente de uma sociedade patriarcal é fonte básica para os erros da comédia, mas
também põe os devidos pingos nos is ou, ao menos distingue o nível de
moralidade entre sogro e genro, entre o que trai e o que sonha em trair. Quanto
a Mary Mounib, que vive a nora do protagonista e mulher de seu lúbrico marido,
sua marginalidade na trama repleta de equívocos, bem tpicamente farsesca,
parece inevitavelmente resultar de seu gênero e idade. Resta-lhe o papel de
lidar somente com a bufonaria. Faz uso bastante modesto das canções com o qual
o cinema popular egípicio é habitualmente acometido, e da dança menos ainda,
mais insinuada que de fato observada, a não ser em cena integrada à narrativa,
numa festa e como veículo para o pretenso histrionismo de El Mohandes. Compahia Pública para a Produção de Filmes
Arábes. 107 minutos.

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