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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Filme do Dia: Quatro Meninas - Uma História Real (1997), Spike Lee




Quatro Meninas – Uma História Real (4 Little Girls, EUA, 1997). Direção: Spike Lee. Fotografia: Ellen Kuras. Música: Terence Blanchard. Montagem: Samuel D. Pollard. Depoimentos: Bill Baxley, Bill Cosby, Walter Cronkite, Arthur Hanes Jr., Shirley Wesley King, Chris McNair, Maxine McNair, Howell Raines, Wamo Reed Robertson, Fred Shuttlesworth, George Wallace.

Entre uma balada de Joan Baez e uma faixa-título composta especialmente para a produção, Lee procura reviver os episódios que desencadearam na explosão a bomba de uma igreja com a morte de quatro adolescentes em Birmingham, Alabama, que deflagrou uma luta que gerou a célebre passeata de Washington e a conquista do voto. O cineasta ataca em duas frentes: numa, de cunho mais emocional (às vezes indo além dos limites, quando continua filmando entrevistados que não conseguem mais conter a emoção) lida com as recordações dos familiares e amigos das quatro garotas mortas, embora também descrevam o contexto de ódio racial em que viviam; em outra, lida com personalidades-chaves do momento como líderes religiosos, participantes do julgamento do caso ou o então governador George Wallace, que embora visivelmente favorável a continuação do sistema segregatório então vigente e tendo se insurgido contra a intervenção federal no estado, aparece negando qualquer acusação de racismo e afirmando que o maior amigo que teve durante toda sua vida foi um negro. Também se detém sobre o processo que acompanhou um dos praticantes do ato, conhecido racista, e sua condenação em 1977. Em um momento que vários entrevistados exorcizam seus demônios, como o chefe de polícia local, notório racista que andava com um tanque nas ruas para demonstrar seu poder, um deles lembra que ele só mantinha tal atitude devido a uma aceitação da maioria da população branca, levando o conflito para além da questão pessoal. A inter-relação entre o drama íntimo vivido pelos familiares com a perda de seus entes e o drama social mais amplo constroem um painel esclarecedor sobre o momento histórico conflitante, chegando a questionar certos mitos – como o depoimento que refere-se que na década de 60 o movimento civil pelos direitos humanos dos negros não era tão coeso quanto pensam os jovens de hoje, exemplificando que no momento da prisão de Luther King no Alabama, pouco mais de uma dezena de pessoas se encontrava com ele. Outro ponto forte do documentário é a riqueza de material filmado da época, que corrobora para que enquanto as pessoas falem surjam imagens relativas aos episódios – como a prisão de King, a negação de Wallace à intervenção federal, o tanque do prefeito nas ruas de Birmingham ou a repressão policial a passeata de estudantes com jatos d’água e cães. Em sua forma o documentário é plenamente convencional. 40 Acres & a Mule Filmworks/ HBO. 103 minutos.                

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