CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Filme do Dia: Eureka (1983), Nicolas Roeg





Eureka (Reino Unido/EUA, 1983). Direção: Nicolas Roeg. Rot. Adaptado: Paul Mayersberg, baseado no livro Who Killed Sir Harry Oakes. Fotografia: Alex Thomson. Música: Stanley Myers & Hans Zimmer. Montagem: Tony Lawson. Dir. de arte: Michael Seymour & John Beard. Cenografia: Michael Seirton. Figurinos: Marit Allen. Com: Gene Hackman, Theresa Russell, Rutger Hauer, Jane Lapotaire, Mickey Rourke, Ed Lauter, Joe Pesci, Helena Kallianiotes.
                Jack McCann (Hackman) é um obstinado garimpeiro que, após quinze anos de incursões infrutíferas pelo inóspito frio canadense, consegue encontrar sua fortuna em 1925. Porém a fortuna lhe trará a inimizade mortal de seu sócio, Charles Perkins (Lauter) e do ganancioso advogado Aurelio (Rourke). Por outro lado, sentir-se-á traído pela própria filha, Tracy (Russell), quando esta decide viver com o sedutor Claude (Hauer), que ele acredita estar interessado apenas na fortuna da família. Os embates entre Jack e Claude se tornam um bom álibi para o assassinato cruel de Jack, perpetrado por Aurelio e seu grupo. Depois de sua morte, todos os depoimentos parecem apontar a culpa de Claude que, no entanto, consegue ser absolvido, desde que parta imediatamente do país.
Esse denso filme de ação psicológico que faz uso do talento de Roeg para mesclar temporalidades distintas em uma dimensão próxima da onírica, consegue acentuar o caráter humano de, conscientemente ou não, se repetir infinitamente, como muitos dos diálogos dos personagens, que acabam voltando a boca dos mesmos com o espaço de muitos anos, como uma teia que não conseguem se desvencilhar com suficiente habilidade. Com várias referências a Cidadão Kane, já a partir do título, sendo Eureka, tal como Xanadu, o refúgio do magnata vivido por Hackman, assim como a pedra que carrega como amuleto e o já desgastado clichê do homem que não consegue encontrar a si próprio. Em seus piores momentos, graças em boa parte as interpretações irregulares, o cineasta parece se aproximar do estilo excessivamente pretensioso de alguns filmes influenciados por seu trabalho anterior, como Uma Estranha Passagem em Veneza (1990), de Paul Schrader. JF Productions/RPC/Sunley Productions. 130 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário