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domingo, 7 de agosto de 2016

Filme do Dia: Abraços Partidos (2009), Pedro Almodóvar


 Abraços Partidos Poster


Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, Espanha, 2009). Direção e Rot. Original: Pedro Almodóvar. Fotografia: Rodrigo Prieto. Música: Alberto Iglesias. Montagem: José Salcedo. Dir. de arte: Antxón Gomez & Victor Molero. Figurinos: Sonia Grande. Com: Penélope Cruz, Lluis Homar, Blanca Portillo, José Luiz Gomez, Rubén Ochandiano, Tamar Novas, Ángela Molina, Chus Lampreave.
Vivendo como roteirista e  escritor cego Harry Craine (Homar), após abandonar seu nome real e sua profissão de cineasta, desde um acidente de automóvel 14 anos antes, quando não apenas perdeu a visão mas também sua amante Lena (Cruz), necessita acertar suas contas com o passado, após a insistência do filho do marido de sua amante, Ray X (Ochandiano), que documentou todos os bastidores da filmagem,  inclusive a relação extra-conjugal, que foram assistidas pelo marido de Lena, o poderoso empresário Ernesto Martel (Gómez). Quem também chega e faz um ajuste de contas com o  passado é sua ex-esposa, Judith (Portillo).
Há um crescente virtuosismo em termos de imagens e de elaboração narrativa, aqui visivelmente inspirada no cinema noir, em sua labiríntica teia de flashbacks. Ao contrário de seus primeiros filmes, onde o escracho, e o anti-naturalismo absurdo das situações e interpretações provocavam  certo efeito de distanciamento com o que é narrado, aqui se existe tal distanciamento ele se dá menos pela interpretação dos atores ou pela magnífica qualidade visual do filme, com destaque para a fotografia de Prieto, do que pela própria virtuosidade de sua narrativa. Ao preço, no entanto, de tornar secundário de fato o interesse pelos próprios personagens. Da forma que o filme se estrutura, todo o interesse recai de fato sobre a trama, tornando os personagens menos realizadores ativos do que meros joguetes desta e, em última instância, afastando qualquer possibilidade de real interesse pelos mesmos. Numa produção que era abertamente avessa a tais protocolos, fosse por pura precariedade, isto era mero detalhe e talvez até funcionasse a seu favor. Em um filme que, mesmo com todas as suas extravagâncias, parece bem mais próximo dessa dimensão realista, não o é. O “filme dentro do filme” é uma notória alusão a Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), filme que lançou o realizador no mercado internacional. A determinado momento, o roteirista assiste a cenas de Viagem à Itália (1953), de Rossellini.  Almodóvar parece ter sido bastante auto-condescendente na exposição de sua trama rebuscada, o que acabou acarretando uma certa perda de ritmo capaz de provocar cansaço bem antes de seu final. El Deseo S.A/Universal International Pictures para El Deseo S.A. 127 minutos.


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