CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

domingo, 28 de agosto de 2016

Filme do Dia: Má Companhia (1972), Robert Benton






Má Companhia (Bad Company, EUA, 1972). Direção: Robert Benton. Rot. Original: Robert Benton & David Newman. Fotografia: Gordon Willis. Música: Harvey Schmidt. Montage: Ron Kalish & Ralph Rosenblum. Dir. de arte: Paul Sylbert & Robert Gundlach. Cenografia: Audrey A.Blasdel.  Figurinos: Anthea A. Sylbert. Com: Jeff Bridges, Barry Brown, Jim David, David Huddleston, John Savage, Jerry Houser, Damon Douglas, Geoffrey Lewis.
Temente a deus, mas ainda mais de seu alistamento na Guerra Civil Americana então em curso, Drew Dixon (Brown) busca outro lugar para morar e lá imediatamente se depara com o larápio Jake Rumsey (Bridges) e seu grupo. Atraiçoados por parte do bando, os dois se vêem sozinhos em condições adversas. Posteriormente encontram os rapazes enforcados e Dixon, ferido em combate, é vítima de traição do próprio Jake. E jura mata-lo se houver ocasião. A ocasião chega, mas ao invés de mata-lo Dixon o livra da forca.
Tocante em seu retrato desmistificador do western e seu foco em personagens à margem do poder e da riqueza, trata-se da estreia na direção de Benton, mais conhecido por seu talento como roteirista (Bonnie & Clyde havia sido sua estreia) sempre em parceria com David Newman, como aqui. Se é fato que o filme volta suas costas para a pompa, assim como para a violência que habitualmente acompanham o gênero – aqui as cenas de confronto soam um tanto toscas e a que mais remotamente se aproxima do final do célebre filme de Penn que pôs Benton no mapa do cinema é bastante breve – não abre mão de recursos como o da amizade entre homens, aqui sem mesmo necessitar da presença de qualquer companhia feminina a desviar seu subliminar homo-erotismo. E constrói essa relação de uma forma tampouco incomum ao universo de companheirismo viril, tirando partido da potencial vulnerabilidade de Brown (que se suicidaria anos depois aos 27 anos) em contraposição ao tipo cínico e desapaixonado vivido por Bridges. Sem a pretensão que o estilo e a narrativa  de longe mais sofisticados impõem a personagens de extrato similar, como os de Terrence Malick, o filme parece soar mais orgânico, mesmo que não tão distante assim do sentimentalismo que será uma marca registrada de obras posteriores e menos felizes do realizador. Paralelos com Robert Altman que também foi um revisionista de gêneros clássicos como o western e o noir (sobre o qual Benton se deteria em A Última Investigação, produzido por Altman), mesmo que sob aproximação distinta são quase inevitáveis. A fuga da guerra por parte de Dixon é uma piscadela mais que evidente ao momento contemporâneo vivido em relação ao Vietnã. Jaffilms/Paramount Pictures para Paramount Pictures. 93 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário