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sábado, 20 de agosto de 2016

Filme do Dia: Missão em Moscou (1943), Michael Curtiz


Movie Poster - ''Mission to Moscow''


Missão em Moscou (Mission to Moscow, EUA, 1943). Direção: Michael Curtiz. Rot. Adaptado: Howard Koch, baseado no romance de Joseph E. Davies. Fotografia: Berg Glennon. Música: Max Steiner. Montagem: Owen Marks. Dir. de arte: Carl Julius Weyl. Cenografia: George James Hopkins. Figurinos: Orry-Kelly. Com: Walter Huston, Ann Harding, Oskar Homolka, George Tobias, Gene Lockhart, Eleanor Parker, Richard Travis, Helmut Dantine, Henry Daniell, Jack Young.
Quando se prepara para partir para sua primeira férias em quase uma década, Joseph E. Davies (Huston) é transformado pelo presidente Franklin Roosevelt (Young) em embaixador americano que viaja para a Alemanha e União Soviética, tentando apaziguar os ânimos bélicos da primeira e perceber com qual grupo a segunda irá se aliar quando o conflito mundial estiver estabelecido. A viagem para Alemanha fracassa e Davies não consegue ter acesso a Hitler, mas na União Soviética as coisas se dão de forma diferente. Mesmo colocando sempre suas diferenças ideológicas, Davies é bem recebido e compartilha suas idéias com as de Stálin, a partir do momento em que o conflito mundial se inicia, e Hitler passa a conquistar vários países europeus.
Muito do que se perceberá no corpo do filme já pode ser percebido em seu longo prólogo, antes mesmos dos créditos, no qual o próprio Joseph E. Davies comenta sobre sua experiência na União Soviética enquanto embaixador americano. Mais do que tudo, já por seu prólogo se anuncia um filme “corajosamente” desvinculado de um universo dramático-diegético minimamente elaborado, algo que vislumbres, como a da preparação para a pescaria podem até sugerir de início. Vai nessa orientação todo o arsenal de documentários, que inclusive são contrapostos a ação ficcional para representarem a presença de Davies junto a manifestações do povo saudando Hitler (na verdade cenas do documentário O Triunfo da Vontade, também utilizado ad nauseum pelos filmes documentais contemporâneos), demonstrações da força soviética na Praça Vermelha, etc. Assim, como a personificação irrestrita dos diplomatas com as orientações políticas de seus países, mais do que nunca representada em um coquetel onde todos se encontram presentes e não se deixa de alfinetar o Japão pela invasão a China em mais de um momento. Joseph, representa uma nação americana inocente e sincera (ele sequer havia tido carreira diplomática anteriormente) e convicta em seu esforço pela paz mundial. Também evocativo do que se estenderá para todo o restante do filme é o excessivo discurso falado, que é tido como subterfúgio para apresentar, de forma quase didática, toda a situação em questão, aliados e inimigos e do qual se abusa de forma demasiado cansativa para os padrões de um filme de ficção. Não menos importante é o tom amistoso para com os soviéticos, mas igualmente demarcando sua posição diferenciada e amante dos valores democráticos e individualistas da nação americana, que já se fazem presentes no discurso de Davies, que pretendem demarcar sua distinção quanto a qualquer simpatia pró-comunista, algo que se tornará uma verdadeira paranoia em poucos anos com o surgimento da Guerra Fria após o conflito mundial findo. É mais do que patente o esforço para apresentar de forma simpática os soviéticos, e mesmo de observar em seu esforço industrioso um germe implantado que descende indiretamente do próprio capitalismo norte-americano, representado no momento em que um operário explica que os operários ganham além do salário fixo quando produzem uma quantia maior do que a média ou que um norte-americano se encontra adaptado lá, mesmo que saudoso de seu Texas, e não pretendendo voltar ao seu país de origem. Já os nazistas são apresentados de forma sempre tensa e traiçoeira, trocando olhares cúmplices que são muito mais significativos dos seus reais interesses do que sua retórica vazia. Em pouco tempo o filme se tornaria constrangedor para seus colaboradores, sobretudo o roteirista Koch (que também havia assinado o filme imediatamente anterior de Curtiz e hoje o mais lembrado de todos, Casablanca), que entraria na lista negra dos pretensos comunistas em Hollywood. Warner Bros. Pictures. 123 minutos.

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