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domingo, 14 de agosto de 2016

Filme do Dia: Filhos da Esperança (2006), Alfonso Cuarón


Filhos da Esperança Poster


Filhos da Esperança (Children of Men, Reino Unido/EUA, 2006). Direção: Alfonso  Cuarón. Rot. Adaptado: Alfonso Cuarón, Timothy J. Saxton, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby, baseado no romance homônimo de P.D. James. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Música: John Tavener. Montagem: Alfonso Cuarón & Alex Rodriguez. Dir. de arte: Jim Kay, Geoffrey Kirkland, Ray Chan, Paul Inglis, Stuart Rose & Mike Stallion. Cenografia: Jennifer Williams. Figurinos: Jany Temime. Com: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Claire-Hope Ashitey, Pam Ferris, Chiwetel Ejiofor, Peter Mullan, Charlie Hunnan, Oana Pellea.
Na Londres de 2027, chocada com a morte do mais novo habitante do planeta, de 18 anos, devida a esterilidade total em que se encontram os seres humanos, Theo Faron (Owen) volta a se envolver com sua ex-esposa, Julian (Moore), terrorista de uma organização secreta que pretende fazer com que Kee (Ashitey) chegue segura ao seu destino. Julian é assassinada. Permanecendo numa fazenda dominada pelos terroristas, Theo descobre que Kee se encontra grávida, que eles pretendem mata-lo e que Julian foi morta pelo próprio grupo terrorista, conseguindo fugir com Kee e sua protetora, Miriam (Ferris), também membro da organização terrorista para a fazenda de Jasper Palmer (Caine). O grupo terrorista logo os descobre. Na fuga, Theo testemunha o assassinato de Palmer. Na dura travessia até chegar ao barco que os levará para um projeto de pesquisas biológicas que pretende voltar a tornar fértil a humanidade, Miriam é capturada pela polícia no Campo de Prisioneiros de Bexhill, Kee possui seu bebê nas piores condições de higiene, na pensão de Maricka (Pellea), que se torna aliada do grupo, eles conseguem atravessar uma situação de guerra com intensos bombardeios e Theo morre dos ferimentos que teve em meio ao combate.
Distopia pouco preocupada com efeitos especiais ou visual futurista, que muito se beneficia de locações e cenários sujos e opressivos, para representar um mundo caótico, suicida e destituído de esperanças. Ainda que exista, sem dúvida, uma menção politicamente correta no fato do “milagre” de uma nova mãe acontecer, ironicamente, em uma negra refugiada ilegalmente, o filme evidentemente  não poupa os terroristas. Esses, por motivos cegamente ideológicos que não chegam a ficar bem claros, arriscam a preciosa vida do bebê em sua bandeira de luta. Em certo momento, quando pretende retratar o peso que representa uma nova e inesperada vida, toda a batalha com dezenas de soldados cessa para que Theo, Kee o e bebê possam se deslocar em segurança, ainda que sob o peso do inverossímil – como, num mundo em que um recém-nascido se torna a coisa mais preciosa de todas, todo um regimento do exército deixe que esse se afaste sem maiores explicações ou sem tomar partido da situação?  Destaque para a notável interpretação de Caine vivendo o velho hippie e, como boa parte das ficções futuristas, o filme se apodera igualmente de uma certa perspectiva retrô, presente seja em certos veículos semelhantes a riquixás em Londres, na direção de arte como um todo ou na trilha musical, composta de temas de, entre outros, King Crimson, John Lennon e Rolling Stones. Cuarón (diretor mexicano de E Sua Mãe Também) chegou a alguns limites de ousadia que uma produção dessa envergadura pode se dar, como o fato do trio mais célebre do elenco morrer (sendo a morte mais chocante e inesperada a do personagem vivido por Julianne Moore, ainda em estágio bem pouco avançado da trama) e deixar um final, sob certo ângulo, bastante ambíguo. Universal Pictures/Strike Ent./Hit&Run Prod./Quietus Prod. para Universal. 109 minutos.


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