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segunda-feira, 2 de março de 2015

Filme do Dia: Frankenstein (1931), James Whale

Frankenstein (EUA, 1931). Direção: James Whale. Rot. Adaptado: Garret Forth, Francis Edward Faragoh & Richard Schayer, a partir do romance homônimo de Mary Shelley. Fotografia: Arthur Edeson. Música: Bernhard Kaun. Montagem: Clarence Kolster. Dir. de arte: Charles D. Hall. Cenografia: Herman Rosse. Com: Colin Clive, Mae Clarke, John Boles, Boris Karloff, Edward Van Sloan, Frederick Kerr, Dwight Frye, Lionel Belmore, Marilyn Harris.
            Henry Frankestein (Clive) rouba um cadáver do cemitério e com o apoio de seu ajudante, Fritz (Frye), consegue um cérebro para trazer de volta a vida o cadáver. A criatura (Karloff) ganha vida,  porém o que Frankenstein fica sabendo é que o cérebro usado foi o de um criminoso. O monstro foge do castelo de Frankenstein. Esse celebra suas bodas com Elizabeth (Clarke). Enquanto isso, o monstro que jogara uma garotinha (Harris) no lago próximo de sua casa,  surge inesperadamente diante de Elizabeth no dia de seu casamento, deixando-a em estado de choque. Com os gritos dela, assusta-se e abandona o local. Enquanto a cidade toda celebra o casamento, o pai da garota assassinada surge com seu corpo em meio as ruas do vilarejo. Uma caçada coletiva é realizada e o monstro captura Frankenstein. Em um moinho criador e criatura lutam pela vida. Frankenstein é jogado do alto do moinho, sendo esse posteriormente queimado pelos habitantes revoltados com o monstro.
           Essa, que se tornaria a versão mais definitiva que a contemporânea adaptação do Dracula, de Stoker, talvez seja menos lembrada por seus próprios méritos que por ter popularizado a máscara facial do monstro, que se perpetuaria por incontáveis produções posteriores tanto de ação ao vivo quanto de animação. Mais de oito décadas após seu lançamento, impressiona menos a forma com que a narrativa se desenrola, que acabaria por se tornar clichê posteriormente (e por muitos vinculada como uma das  mais célebres representações metafóricas da perseguição aos judeus como defende Hollywoodismo) que pela força visual presente em diversos momentos, da cenografia do laboratório que dá vida ao monstro (reutilizado décadas após na divertida paródia-tributo de Brooks, O Jovem Frankenstein) à bela contraposição de planos entre Frankenstein e sua criatura tendo a roldona que move o moinho a separa-los passando pela monumental imagem do moinho sendo incendiado, com a multidão ao redor. Desnecessário afirmar a riqueza da fotografia contrastada em p&b e seu jogo de sombras, tornando-se já uma segunda geração de filmes a ser influenciada pelo visual dos filmes expressionistas alemães. E mesmo em situações não tão obviamente cenográficas ou sombrias, como a ambientada no lago. O fato de Frankenstein ter sobrevivido foi um acréscimo posterior com vistas a um “final feliz” e igualmente uma reutilização do personagem na não menos talentosa sequencia, A Noiva de Frankenstein, um dos primeiros exemplares a tirar partido do próprio potencial cômico de elementos da narrativa. A versão que conta com a morte do cientista chegou a ser exibida na TV. Inicia com uma apresentação de ninguém menos que o chefe do estúdio, Carl Laemmle. Não se trata da primeira adaptação do romance, ainda que a mais famosa até então, produzida em 1910, certamente já tinha caído no esquecimento e provocou um frisson tão grande que gerou uma série de filmes menores dirigidos por realizadores menos talentosos, tais como O Filho de Frankenstein, O Fantasma de Frankenstein e Frankenstein e o Lobisomem. Após a exaustão do ciclo, o personagem ressurgiria, seguido por um novo ciclo, a partir das produções britânicas da Hammer, do final dos anos 50.  National Film Registry em 1991. Universal Pictures. 70 minutos.



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