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segunda-feira, 30 de março de 2015

Filme do Dia: O Galante Aventureiro (1940), William Wyler

O Galante Aventureiro (The Westerner, EUA, 1940). Direção: William Wyler. Rot.Original: Niven Bursch & Jo Swerling, sob argumento de Stuart N. Lake. Fotografia: Gregg Toland. Música: Dimitri Tiomkin.  Montagem: Daniel Mandell. Dir. de arte: James Basevi. Cenografia: Julia Heron. Com: Gary Cooper, Walter Brennan, Doris Davenport, Fred Stone, Forrest Tucker, Paul Hurst, Chill Wills, Lilian Bond.
Em um Texas recém-colonizado por caubóis, um grupo de agricultores recém-chegados acaba sendo hostilizado pelos moradores locais, comandados pelo “juiz” local, o dono da taverna Roy Bean (Brennan). Os vaqueiros afirmam que os agricultores ocupam a região que era pasto para o gado deles. Os agricultores que o gado invade suas plantações. A situação parece mudar de figura com a chegada do caubói Cole Harden (Cooper). A muito custo, Harden consegue aparentemente conciliar os dois grupos, a partir da fixação de Roy Bean por uma atriz de teatro, Lily Langhty (Bond). Harden se apaixona por Jane Ellen Matthews (Davenport), uma das vítimas da truculência do Juiz. A paz não dura muito, no entanto. Enquanto a comunidade comemora o sucesso do cultivo de trigo, asseclas de Roy Bean incendeiam  as plantações e as casas dos moradores, provocando a morte do pai de Jane Ellen. Os agricultores, desestimulados, partem. Jane Ellen decide ficar, mas não aceita mais o amor de Harden, que acredita se encontrar do lado de Roy Bean. Muito próximo daquele, Harden descobre que fora realmente Roy Bean o mentor intelectual do incêndio. Indignado se transforma em xerife de uma cidade próxima e quando Roy Bean compra todos os ingressos do teatro para ver Langhty, mata-o. Harden se casa com Jane Ellen e os agricultores aos poucos retornam à região.
Wyler se aventura pelo universo do western, conseguindo um resultado final que fica no meio termo entre a exaltação de convenções do gênero (como a onipresente referência ao deserto que se civiliza em jardim) e um mais interessante e provocativo olhar para as situações cotidianas que o aproximam mais de reatualizações modernas do gênero como as efetuadas por Arthur Penn duas décadas após. Nesse sentido, é digno de nota a descrição do início da amizade entre Roy Bean e Harden, em tons homo-eróticos (os dois acordam juntos na mesma cama após excessos com a bebida) e o vagar dos planos, pouco preocupado em apresentar de imediato o que será verdadeiramente importante para a trama. Assim como a sutil ironia que acompanha diversas das situações apresentadas. A metade final, bem mais convencional, ainda assim será surpreendente. De fato, quando se acredita que o protagonista vivido por Cooper será a consciência capaz de dirimir os conflitos entre caubóis e agricultores  por conta dos horizontes mais amplos, demonstrando sua virtude ao se sobrepor a sua própria condição de caubói e aventureiro para tentar compreender o “ponto de vista” do outro lado, tornando-se o verdadeiro juiz, a reação se dá de modo covarde. Ou seja, fica mais que evidente ao final que tanto o protagonista quanto o próprio filme abraçam o universo dos agricultores como o que verdadeiramente semeou a lei e a ordem no Velho Oeste, sendo a “domesticação” de Harden ao final, que esquece dos planos de seguir viagem para a Califórnia, a maior prova disso. A partir do momento que resolve finalmente abraçar o universo dos agricultores, unindo-se a Jane Ellen, fica evidente que não só não há conciliação possível entre os dois universos, como o dos vaqueiros se encontra em vias de se tornar obsoleto e cada vez mais marginal. Mesmo que ainda exista, evidentemente, uma herança ambígua que não deixa de inquietar e comover Harden no momento que ele assassina Roy Bean, como se tivesse matando um pouco de si mesmo (algo que seria retrabalhado, de forma mais auto-consciente e complexa por John Ford em filmes como Rastros de Ódio e traduzido para o universo de poder brasileiro de modo bastante original por Glauber Rocha em Deus e o Diabo na Terra do Sol). A escritora Lílian Hellman colaborou no roteiro, ainda que seu nome não surja nos créditos. Também conhecido como A Última Fronteira. The Samuel Goldwyn Co. 100 minutos.


2 comentários:

  1. Eu preciso dar mais atenção a filmografia do Wyler.

    Movies Eldridge
    http://movieseldridge.blogspot.com.br/

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  2. ele tem vários filmes interessantes, vários meia-boca também...inevitável para alguém com filmografia tao extensa.

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