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sábado, 7 de março de 2015

Filme do Dia: Berkeley in the Sixties (1990), Mark Kitchell

Berkeley in the Sixties (EUA, 1990). Direção: Mark Kitchell. Rot. Original: Mark Kitchell, Susan Griffin & Stephen Most. Fotografia: Stephen Lighthill. Montagem: Veronica Selver.
Documentário que ilustra em retrospecto que avança temporalmente a crescente radicalização política que surge num dos bastiões da influente e rica elite norte-americana ao longo dos anos 1960, a Universidade de Berkeley. Suas principais fontes são a narração over, depoimentos de militantes do período que tiveram um papel atuante e uma farta metragem de filmes de arquivo. A narrativa se inicia em 1960, quando irrompem manifestações para o direito de se expressar livremente na universidade, após intervenção policial e avança até o final da década quando se acompanha conexões mais amplas com a contra-cultura e os Panteras Negras, assim como os distúrbios da convenção democrata de Chicago de 1968 e, no caso específico de Berkeley, a construção e posterior interdição do Parque do Povo. Talvez o que mais se ressinta esse documentário seja de seu formato já bastante explorado que intercala entrevistas e imagens da época, e o áudio das mesmas eventualmente sobre as imagens do período, assim como – e principalmente – a falta de reflexão maior sobre o efetivo sentido político do apresentado e seu legado. Talvez um dos poucos momentos efetivamente interessantes seja justamente o que a montagem contrapõe de modo seguido a fala do filósofo John Searle, que comenta em tom crítico a existência de um grande emocionalismo esvaziado de propostas concretas logo seguido pelo mais emocionado depoimento de todos, de um ex-militante que afirma que muitas das liberdades e direitos conquistados se deve ao período, de certa forma dando sentido a sua própria trajetória e existência. Ambos, provavelmente, têm seu quinhão de razão. Faltou talvez justamente explorar com mais intensidade essas visões conflitantes. A própria apresentação da fala do militante após a de Searle já diz muito da perspectiva com a qual o documentário é mais simpático, assim como a posição praticamente isolada do filósofo. Caso tivesse ousado ir além nessa contraposição conseguisse ir alem do relato memorialista e de suas impressões individuais e conseguisse fazer jus a um momento político e social tão rico. Kitchell Filmsd/P.O.V. para California Newsreel. 117 minutos.


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