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sexta-feira, 13 de março de 2015

Filme do Dia: O Grito da Mocidade (1936), Raul Roulien

O Grito da Mocidade (Brasil, 1936). Direção: Raul Roulien. Rot. Original: Raul Roulien, sob argumento de Henrique Pongetti. Fotografia: William Gericke. Montagem: Raul Roulien. Com: Raul Roulien, Conchita Montenegro, Jaime Costa, Orlando Brito, Manoel Pêra, Conchita de Moraes, Jorge Murad, Manoel Rocha.
Raul Melo (Roulien), mais conhecido como Gaiola, é um frívolo e desinteressado acadêmico de medicina, apaixonado pela dedicada enfermeira Estela (Montenegro). Vive em meio aos amigos, também acadêmicos, Gonçalves, Adalberto, Marca-Passo e Ramos. Uma amiga de Estela, a também enfermeira Laurinha se apaixona e fica grávida de Adalberto, que não demonstra interesse em assumir o compromisso. Preocupado com a tosse incessante de Estela, Raul marca a festa de casamento, porém Estela piora no dia da festa de formatura. Internada e cercada por amigos, Estela abençoa a união entre Adalberto e Laurinha. Um acidente de trem que trazia a mãe de Raul, faz que esse, com a ajuda de uma Estela acamada, salvem a vida da mãe e conquistem prestígio profissional a Raul. Estela, porém, falece. Raul, anos depois, a partir de uma posição de liderança na medicina, orienta novos acadêmicos.
Primeiro filme dirigido por Roulien, após uma breve carreira como galã hollywoodiano, onde já se fazem patentes muitas das motivações e estratégias dramáticas presentes no mais elaborado e bem sucedido junto ao público e a crítica Aves sem Ninho (1939). Aqui já se encontra um populismo patriótico de contornos quase fascistas, presente na procissão dos estudantes com tochas acesas louvando à pátria. Ou ainda, entremeado forçosamente entre um momento de idílio amoroso vivido pelo par principal, quando ocorre quase um pequeno documentário com imagens de algumas atrações do Rio de Janeiro. E, ainda mais fortemente uma certa ode ao sofrimento, e mesmo a morte, como provas que os heróis devem passar para almejarem o amadurecimento que os tornará lideranças morais/profissionais. Como em Aves sem Ninho, é igualmente a figura feminina que provocará a redenção da frivolidade do par masculino, lá como aqui um acadêmico de medicina. Igualmente como nesse filme, a uma grande ojeriza à figura de autoridade, representado tanto pelo hipócrita dono do hospital quanto na masculina chefe das enfermeiras, contrabalançada aqui pela liderança “natural” e nada arrogante dos “verdadeiros líderes” representada pelo mestre-cirurgião que aconselha Gaiola, figura que será representada pelo próprio Gaiola ao final do filme, dirigindo-se para um grupo de jovens acadêmicos e – posteriormente – para o próprio espectador. Ou seja, selando no personagem o elo de passagem dos valores mais caros de uma geração que lhe antecedeu para outra subseqüente. Aliás, esse discurso proselitista final será reproduzido, sem maiores modificações, na boca da Vitória vivida por Déa Selva em Aves sem Ninho. Aqui também existe uma tentativa de humor incorporada sobretudo na figura do motorista negro apesar de que a narrativa torne-se bem mais dispersiva quando se aventura por subenredos de tinturas pateticamente melodramáticas, como a do vendedor de laranjas português ou da criança branca “salva” das mãos de uma mãe negra, tragicamente atropelada. D.F.B. 90 minutos.


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