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quinta-feira, 12 de março de 2015

Filme do Dia: O Criado (1963), Joseph Losey

O Criado (The Servant, Reino Unido, 1963). Direção: Joseph Losey. Rot. Adaptado: Harold Pinter, baseado no romance homônimo de Robin Maugham. Fotografia: Douglas Slocombe. Música: John Dankworth. Montagem: Reginald Mills. Dir. de arte: Richard MacDonald. Cenografia: Ted Clements. Figurinos: Beatrice Dawson. Com: Dirk Borgarde, James Fox, Sarah Miles, Wendy Craig, Catherine Lacey, Richard Vernon, Anne Firbank, Patrick Magee.
             Tony (Fox) é um jovem aristocrata ocioso que contrata o criado Hugo Barett (Bogarde), para auxiliar na decoração de sua casa, além de fazer faxina, comida e as compras. Formal e responsável, ele conquista a confiança do patrão. O mesmo não ocorre com a noiva de Tony, Susan (Craig), que reclama de sua onipresença. Barett pede para Tony para trazer sua irmã, Vera (Miles). Logo, Tony perceberá mudanças como a presença de Vera em seu banheiro pela manhã  cedo ou flagrará Barett com Vera na cama, após retornar de uma viajem. Barett é despedido e sua noiva rompe com ele, em grande parte devido as insinuações verdadeiras de um relacionamento entre Tony e Vera. Após reencontrar Barett em um bar, Tony não resiste aos lamentos para que lhe dê uma nova chance. Dessa vez, no entanto, em pouco tempo Barett tornar-se-á senhor da situação, trazendo Vera de volta à residência e dando uma festa em que acaba  por molestar Susan diante de um Tony completamente sem ação.
            A atmosfera emocionalmente distanciada em que se desenrola a trama paradoxalmente é um dos charmes e um dos defeitos desse filme que se centra nas relações de poder entre os dois protagonistas, findando na relação extremamente oposta à do início. Fox está muito bem como o jovem afetado, inseguro e infantilizado que deixa-se submeter aos caprichos de seu criado. Bogarde, por sua vez, não menos bem como o criado altivo e dissimulado. Ao espelho, no centro da sala, cabe refletir muitas das cenas mais vitais desse filme que possui como maior falha a esquematização excessiva dos personagens que são  tipos que, sem qualquer densidade psicológica, procuram apenas representar algumas idéias do cineasta sobre os conflitos entre classes. No caso das mulheres, mais que nunca, não foi reservado o menor nível de complexidade: a Vera de Miles é caricatamente vulgar e a Susan de Craig é apenas mais uma esnobe tediosa que reclama de tudo e de todos. Trata-se da primeira das várias colaborações que seguiram-se do cineasta com o famoso dramaturgo Pinter. Por outro lado, foi a primeira participação em anos de Bogarde em um filme do cineasta, sendo que é justamente ao fato de ter trabalhado com Losey que ele conquistou inicialmente sua reputação como ator. Uma das sequências mais singulares é a que um bispo entra e sai de um bar – e da narrativa -  onde se encontra Tony e sua noiva – sem maiores explicações. Elstree/Springbok Productions. 112 minutos.

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