CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

quarta-feira, 18 de março de 2015

Filme do Dia: Os Agentes do Destino (2011), George Nolfi

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, EUA, 2011). Direção: George Nolfi. Rot. Adaptado: George Nolfi, a partir do romance The Adjustment Team, de Philip K. Dick. Fotografia: John Toll. Música: Thomas Newman. Montagem: Jay Rabinowitz. Dir. de arte: Kevin Thompson & Steven H. Carter. Cenografia: Susan Bode. Figurinos: Kasia Walicka-Maimone. Com: Matt Damon, Emily Blunt, Michael Kelly, Anthony Mackie, John Slattery, Lisa Thoreson, Florence Kastriner, Phyllis MacBride.
David Norris (Damon) é um forte candidato a uma brilhante carreira política que vê sua vida subitamente transformada ao encontrar no banheiro masculino a bela Elise (Blunt). David descobre a existência de uma corporação subterrânea que direciona os destinos das pessoas e faz de tudo para que os dois permaneçam separados, pois só assim Elise se tornará um das mais brilhantes coreógrafas e bailarinas de seu tempo e Norris chegará a assumir a Casa Branca. Com  a ajuda de Harry Mitchell (Mackie), David consegue forças para lutar contra os desígnios preparados para ele e leva consigo Elise para longe do casamento com um outro homem, no momento do mesmo.
Essa adaptação de mais um romance de Dick (cuja obra adaptada para o cinema que se tornou mais célebre foi Blade Runner) é o filme de estréia do roteirista Nolfi, que certamente deveria estar pensando em seguir aqui os passos do sucesso de O Ultimato Bourne, também roteirizado por ele e com o mesmo Damon. O resultado, no entanto, soa por demais burocrático e pouco inventivo para se tornar minimamente interessante. Ao secundarizar a trama política pelo aberto – e inócuo – romantismo em meio a uma trama sobrenatural, essa mescla entre realismo e fantasia torna-se bem menos pródiga do que na ficção de Ridley Scott. O filme parece apenas reprocessar temas já por demais visitados pelo cinema, recente ou não. Das portas que se abrem para locais distintos (de uma maneira geral, bastante turísticos de Nova York, como o Museu de Arte Moderna ou a Estátua da Liberdade) que evoca a dinâmica do mundo da tela computadorizada (e que já havia rendido um uso mais interessante na animação Monstros S.A.) à referência a automatização associada ao universo das corporações, enquanto morte da individualidade, algo já presente no distante A Turba, tudo soa como um amontoado de clichês. Não falta o auxílio politicamente correto de um “anjo negro do bem” que irá dar o empurrãozinho final para a felicidade de casal, sintomaticamente pensada como distante da celebridade no mundo da política e da dança e não muito distante da do espectador médio ao qual foi pretensamente dirigido. Como reza a tradição da narrativa melodramática em sentido mais amplo, ocorre toda uma movimentação de vários agentes preocupados com o destino de um único homem. Por mais que fique claro que eles comandam o destino de quase todos, de fato do início ao final do filme eles parecem vinculados somente a figura de David, remetendo a fantasias narcísicas não menos condescendentes – ainda que de longe mais interessantes – como a do clássico A Felicidade Não se Compra (1946) de Frank Capra. Sua rotineira trilha sonora, insistente em se fazer presente na maior parte da ação, bem poderia servir como metáfora para o produto final da qual faz parte. Universal Pictures/Media Rights/Gambit Pictures para Universal Pictures. 106 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário