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sábado, 8 de março de 2014

Filme do Dia: Ponto Final (2005), Woody Allen

Ponto Final (Match Point, EUA/Reino Unido/Rússia/Irlanda/Luxemburgo, 2005). Direção e Rot. Original: Woody Allen. Fotografia: Remi Adefarasin. Montagem: Alisa Lepselter. Dir. de arte: Jim Clay. Cenografia: Carole Smith. Figurinos: Jill Taylor. Com: Jonathan Rhys Meyers, Scarlett Johansson, Emily Mortimer, Matthew Goode,  Brian Cox, Penelope Wilton, Margaret Tyzack, Steve Pemberton, James Nesbitt.
Chris Wilton (Meyers) é um charmoso treinador de tênis recém-chegado em Londres que se torna amigo de um dos ricos clientes do clube, Tom Hewett (Goode). A irmã de Tom, Chloe (Mortimer) apaixona-se por Chris, que sente-se atraído verdadeiramente desde o primeiro momento por Nola Rice (Johansson), noive de Tom. Pressionado pela família, Chris passa a trabalhar no escritório do pai de Chloe, Alec (Cox) e se casa com Chloe. Tido como genro exemplar, Chris se envolve em um tórrido caso com Nola, agora separada definitivamente de Tom. Com Nola grávida ligando para seu celular constantemente, Chris passa a ficar cada vez mais nervoso no trabalho. Ao mesmo tempo Chloe cobra por um filho, mas não consegue engravidar. A pressão aumenta quando Nola anuncia se encontrar grávida e ameaçando contar tudo para Chloe. Desesperado, Chris assassina a vizinha do apartamento de Nola, a Sra. Eastby (Tyzack), matando Nola quando ela sai do elevador. Levado algumas drogas da vizinha, o crime é dado por roubo de drogas. A polícia, no entanto, ainda possui dúvidas com relação ao crime.
Allen consegue construir um filme de ritmo e atmosfera tensos como nenhum outro de sua filmografia anterior. Seu assassino calculista, da mesma família de Tom Ripley, mas com pretensões declaradas da influência de Dostoievski, de quem Allen já flertara com seu Crimes e Pecados – a certo momento, ele aparece lendo obras do e sobre o autor, é vivido com relativa propriedade por Meyers. Não deixa de ser virtuosa a maneira como descreve a divisão do protagonista entre sua paixão e toda uma vida repleta de comodidades, dinheiro e reconhecimento profissional. Ou ainda seu paralelo com o jogo de tênis, a única referência de sobrevivência de Chris antes de conhecer Chloe, no detalhe que salva sua vida e que é fruto de sua própria filosofia com relação ao acaso – o anel da vítima jogado por ele acaba não caindo no rio e o salvando da condenação, reproduzindo a bola do jogo de tênis que pode decidi-lo, dependendo de que lado caia quando bate na rede. Apesar de seu sucesso e relativa sofisticação enquanto construção narrativa, o filme se ressente sobretudo por sua falta de marca autoral, algo quase impensável em termos de Allen. Seus tipos remediados que gravitam em torno do mundo artístico de Nova York se tornam aristocratas ingleses esnobes em Londres. O jazz é substituído pela ópera. Tampouco estão presentes seus colaboradores fiéis por trás das câmeras (notadamente o diretor de arte Santo Loquasto e a montadora Susan E.Morse), algo que provavelmente influenciou bastante para a sensação de não se assistir a um filme de Allen, tanto em termos de visual quanto de ritmo, sendo o filme muito mais longo do que as produções costumeiras do cineasta. BBC/Magic Hour Media/Thema Production/Invicta Capital/BBC Films. 124 minutos.


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