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quinta-feira, 13 de março de 2014

Filme do Dia: À Espera de Turistas (2007), Robert Thalheim

À Espera de Turistas (Am Ende Kommen Touristen, Alemanha, 2007). Direção: Robert Thalheim. Rot. Original: Robert Thalheim, Hans-Christian Schmid & Bernd Lange. Fotografia: Yoliswa Gärtig. Música: Uwe Bossenz. Montagem: Stefan Kobe. Dir. de arte: Michael Galinski & Rita Hallenkamp. Figurinos: Ewa Krauze. Com: Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka, Piotr Rogucki, Rainer Sellien, Lena Stolze, Lutz Blochberger, Willy Rachow.
Sven (Fehling) é um jovem alemão que opta pelo serviço civil ao invés do militar e parte para Auschwitz, onde sua principal função é se tornar assistente do idoso Stanislaw (Ronczewski), que tendo sido prisioneiro do campo de concentração, nunca havia abandonado o local, trabalhando com palestras para visitantes jovens e reparando malas que haviam sido de prisioneiros para o museu que funciona no local atualmente. Sven ao mesmo tempo passa a se relacionar afetivamente com a polonesa Ania (Wysocka). O rabugento Stanislaw observa, com o tempo, que Sven se encontra efetivamente preocupado com ele, enquanto Ania tem planos de se mudar para Bruxelas e iniciar uma nova carreira. Sven, incomodado com ambas as situações – havia pouco tempo antes ajudado Stanislaw, que havia encontrado caído no chão, mas se encontrava algo reticente de ir morar com a irmã – decide partir de volta para Berlim. Quando se encontra próximo de embarcar, volta, tendo como pretexto auxiliar um grupo de turistas recém-chegados.
Por mais que o filme pretenda se manter distante do tratamento que o cinema de maior apelo comercial tratou a temática – e um comentário de Stanislaw parece selar como contraponto A Lista de Schindler, de Spielberg – ele tampouco se encontra longe de uma já longeva tradição de filmes de maior pretensão com relação a questões como as apresentadas pelo filme a partir do filtro das relações pessoais. Mesmo buscando se afastar do sentimentalismo que a todo momento parece ameaçar pousar de forma incontrovertida sobre a relação entre o jovem e o velho ou sobre a trivialidade romântica que igualmente comprometeria a percepção semi-distanciada com que acompanha a aproximação de Sven de Ania, o filme tenta se evadir de posicionamentos que não são tão distintos dos trabalhados pelas produções rotineiras que aparentemente pretende se contrapor. Seu final, por exemplo, é o cúmulo de uma tentativa de negar ao espectador um retorno mais explícito do personagem a sua figura amada e um happy end mais convencional  como o de O Exótico Hotel Marigold (2011). O que não necessariamente significa algo tão distante assim. Dito isso, deve-se reconhecer a forma tocante com que o talentoso Fehling, alter-ego do cineasta (o filme é baseado numa experiência autobiográfica) consegue expressar a angústia que o acompanha ao longo de quase todo o filme, com relação as duas situações que se tornam centrais para ele. Assim como a duplicação da indecisão do homem mais velho sobre o mais jovem, como a ressaltar a vida enquanto incessante processo de opções nem sempre fáceis de se tomar. 23/5 Filmproduktion GmbH/Das Kleinfernsehspiel para Bavaria Film Int. 85 minutos.


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