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segunda-feira, 31 de março de 2014

Filme do Dia: Desesperado (1947), Anthony Mann


Desesperado (Desperate, EUA, 1947). Direção: Anthony Mann. Rot. Original: Harry Essex & Martin Rackin, a partir do argumento de Anthony Mann & Dorothy Atlas. Fotografia: George E. Diskant. Música: Paul Sawtell. Montagem: Marston Fay. Dir. de arte: Albert S. D’Agostino & Walter E. Keller. Figurinos: Darrell Silvera. Com: Steve Brodie, Audrey Long, Raymund Burr, Douglas Fowley, William Challee, Jason Robards, Paul E. Burns, Ika Grüning.
      O jovem casal, composto pelo caminhoneiro Steve (Brodie) e a dona de casa Anne (Long) se preparam para comemorar o primeiro aniversário de sua união, quando Steve recebe uma irrecusável encomenda bem paga de Walt Radak (Burr). Quando fica sabendo que seu ofício será transportar mercadoria roubada, nega-se e gera uma situação na qual se torna refém do grupo, mas consegue alertar a polícia. Na confusão, o irmão jovem de Walt é capturado pela polícia. Steve e Anne vão se refugiar na casa dos tios dela, os imigrantes tchecos Jan (Burns) e Klara (Grüning), após uma fuga onde passam por várias dificuldades relacionadas a um carro alugado e a uma carona com um xerife local. Após acomodados junto aos tios de Anne, Steve resolve se apresentar à polícia. O tenente Ferrari (Robards), mesmo não acreditando em sua versão, deixa-o livre para tentar conseguir prender a quadrilha. Walt, nesse momento, após se recuperar dos ferimentos em um tiroteio, já sabe do paradeiro do casal, por conta do detetive que contratou. Na noite em que seu irmão se encontra prestes a ser morto pela justiça, ele também pretende matar, no mesmo horário, Steve.
      É admirável a forma como o filme contrasta, em seus primeiros minutos, a limpidez da casa e das faces dos recém-casados, com sua vidinha pacata e sem maiores ambições, com a sordidez sombria que acompanha o ambiente e as faces do grupo de criminosos, distinção que persiste em continuar mesmo quando o herói divide o espaço com a gangue, como no interior do caminhão, onde observamos sua face plenamente iluminada enquanto a do carona é marcada pelas sombras de uma grade que parece sinalizar para a promessa de justiça final. Dito isso, assim como do bom ritmo com o qual constrói a fuga e boas interpretações do elenco em geral, o filme também apresenta seus furos, desde o garoto xereta do apartamento onde vive o casal, simplesmente desaparecido a partir de determinado momento sem dizer exatamente ao que veio até a relativa incapacidade de manter seu ritmo tenso com a mesma galhardia do início; em parte, talvez por conta dos modestos valores de produção em relação à produção padrão hollywoodiana da época. Com um estilo visual bastante reminiscente das produções da década anterior, somado ao estilo que celebrizou o noir, com direito a um jogo de luzes que transforma os vilões em figuras  quase pestilencialmente demoníacas a determinado momento, torna-se quase uma versão “benigna” de road movies que seguem igualmente casais, esses de fato criminosos, em distintas gerações como Mortalmente Perigosa (1950), Bonnie & Clyde (1967), Louca Escapada (1974) ou Assassinos por Natureza (1994). RKO Radio Pictures. 73 minutos.

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