O Dicionário Biográfico de Cinema#343: Jesse L. Lasky

 


Jesse L. Lasky (1880-1958), n. San Francisco

No catálogo do American Film Institute de longas para os anos 1921-30, Jesse Lasky preenche cinco colunas e é creditado em mais de 350 filmes. Mas seu papel enquanto "apresentador" finda ao final de 1928, após o que a maior parte dos filmes da Paramount carrega o nome de Adolph Zukor nos créditos iniciais. E é um quebra-cabeças que tal autoridade poderia cessar tão subitamente e isso levanta a questão de se os executivos do estúdio exerciam poder criativo ou apenas associavam seus nomes a mais produtos do que qualquer homem poderia compreender. Há poucas dúvidas que nos primórdios dos anos 20 que qualquer observador poderia listar Lasky dentre os mais poderosos homens em Hollywood. Mas, após 1932, quando sua associação com a Paramount cessou, revelou-se como homem de nenhum caráter ou impacto particular. 

Magnatas, imperadores ou faraós somente deixaram seus nomes  ou retratos deles próprios. Olhe o quanto quiser - Tutankhamon, Luís XIV ou Jesse Lasky e você nunca entenderá a verdade de um homem. Mas um artista, um poeta ou diretor nos deixa com a impressão de sua mente. Talvez os magnatas sejam levados a uma arbitrariedade exagerada porque preveem esse esquecimento. 

Lasky possui uma ascendência alemã. Quando jovem, foi corneteiro, assistente de um show de medicina e participante esperançoso na corrida do ouro do Yukon. A corneta o levou ao vaudeville, enquanto sua irmã, Blanche, com os lábios franzidos pelo mesmo instrumento, casou-se com  Samuel Goldwyn. Em 1913, Lasky, Goldfish, e Cecil B.DeMille fundaram a Lasky Feature Plays. Em 1916 se fundiram com a Famous Players de Adolph Zukor, proporcionando a base para a futura Paramount. DeMille sempre teve a intenção maior de fazer filmes, mas Lasky, Goldfish e Zukor se engajaram em uma imediata luta pelo poder. Goldfish se ressentiu por muitos anos da forma que seu cunhado Lasky ttomou o lado de Zukor, e saiu para a independência. 

A Famous Players Lasky se estabeleceu com Zukor como presidente, e Lasky como vice-presidente a cargo da produção. Zukor, naturalmente, é o esquisito sobrevivente do mundo do cinema. Nascido em Ricsey, Hungria, em 1873, celebrou seu centenário de nascimento, ainda "presidente emérito" da Paramount, ela própria uma subsidiária da Gulf and Western. Tal longevidade pode proporcionar a aparente indiferença de Zukor ao produto. Foi essencialmente um homem da Costa Leste que teve pequena participação na produção após a parceria com Lasky, mas levantou dinheiro em Wall Street e ampliou os braços de distribuição e exibição da Paramount. 

Em teoria, ao menos, Lasky foi o encarregado de produção - em Hollywood e Nova York - de 1916 a 1932. Por esta época, a Paramount estava com terríveis problemas, resultado da Depressão e dos erros de Zukor. O produto da Paramount era mais consistente e tão satisfatório quanto o das outras companhias. E é o período no qual a Paramount recrutou Valentino da Metro; realizou The Covered Wagon [Os Bandeirantes] e os primeiros filmes de Schoedsack-Cooper; contrataram Lubitsch, Von Sternberg, Dietrich, e Gary Cooper; manipulava a maior parte dos filmes de DeMille; alistou os Irmãos Marx, W.C. Fields, Mary Pickford, Claudette Colbert e Maurice Chevalier. Mas evidências precisas do papel de Lasky são escassas. De 1923 em diante, ele passou a compartilhar a etiqueta do "apresentado por" com Zukor e que pode indicar a crescente interferência de Nova York. Von Sternberg fala de sua própria chegada a Paramount, encontrando Lasky e trocando cumprimentos, ao que Lasky disse: "Não se esqueça, fui eu quem disse isso primeiro", como se estivesse ansioso para ser associado ao sucesso. 

A crise atingiu Lasky com força e eliminou a maior parte de suas ações. Juntou-se a Fox e produziu lá por poucos anos: Berkeley Square [Romance Antigo] (33, Frank Lloyd); I am Suzanne [Eu Sou Suzanne] (34, Rowland V. Lee); Springtime for Henry (34, Frank Tuttle); Helldorado [Eldorado] (35, James Cruze); Redheads on Parade [A Parada das Ruivas] (35, Norman Z. McLeod); e The Gay Deception [Sua Alteza o Garçom] (35, William Wyler). Uma lista modesta. Em 1935, a Fox se fundiu com a Twentieth Century e Darryl Zanuck foi o excecutivo natural a cargo da produção do novo grande estúdio. Lasky se moveu para uma breve parceria com Mary Pickford na United Artists: One Rainy Afternoon [Aconteceu Numa Tarde Chuvosa] (36, Lee) e The Gay Desperado [O Mundo é Meu] (36, Rouben Mamoulian). Esteve então na RKO, por um ano, após o que trabalhou para o rádio e esteve novamente próximo de quebrado.

Mas em 1941, Howard Hawks e Gary Cooper vieram em ajuda a Lasky, assumindo o projeto de  Sargeant York [Sargento York] e vendê-lo aos Warners. De acordo com Hawks, novamente, ele fez todo o trabalho e deixou Lasky contar os lucros. Mas Sargento York não é o mais hawksiano dos filmes. seu patriotismo e sentimentalidade sugerem a mão de Lasky. Permaneceu com os Warners e produziu uns poucos filmes mais: The Adventures of Mark Twain [As Aventuras de Mark Twain] (44, Irving Rapper) e Rhapsody in Blue [Rapsódia Azul] (45, Rapper). Então voltou a RKO para Without Reservations [Romance e Fantasia] (46, Mervyn LeRoy) e The Miracle of the Bells [O Milagre dos Signos] (48, Irving Pichel). Foi uma triste procissão de ordenamentos, completada por sua mudança para a MGM em 1950 e seu retorno a Paramount, em 1957. À essa altura, ele devia tanto ao fisco que estava tentando iniciar outro projeto.

Texto: Rist, Peter H. The New Biographifcal Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 1513-15.

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