Filme do Dia: Vassalos da Ambição (1964), Franklin J. Schaffner
Vassalos da Ambição (The Best Man, EUA, 1964). Direção:
Franklin J. Schaffner. Rot. Adaptado: Gore Vidal, baseado em sua própria peça.
Fotografia: Haskell Wexler. Música: Mort Lindsey. Montagem: Robert Swink. Dir. de arte: Lyle R.
Wheeler. Cenografia: Richard Mansfield. Figurinos: Dorothy Jeakins. Com: Henry Fonda, Cliff Robertson, Edie Adams, Margareth Leighton, Shelley Berman, Lee
Tracy, Ann Sothern, Gene Raymond, Kevin McCarthy.
Em Los Angeles, entre o Hotel
Ambassador e o Sports Arena, os bastidores para a convenção que indicará um dos
candidatos a presidente torna-se acirrada entre os dois candidatos que possuem
reais chances, o ético, porém inseguro e excessivamente reflexivo William
Russell (Fonda) e o inescrupuloso, conservador e ágil Joe Cantwell (Robertson).
O ex-presidente Art Hockstader (Tracy) não anuncia publicamente seu favorito, o
que faz com que o processo prossiga. Extra-oficialmente, no entanto, Hockstader
apóia Rusell. Cantwell consegue descobrir um relatório médico que apresenta que
Russell sofreu de um colapso nervoso quando jovem. Sheldon Bascomb (Berman)
surge com uma denúncia de homossexualidade contra Cantwell, na época da II
Guerra. Mesmo pressionado, Russell prefere não tornar pública a acusação,
renunciando à candidatura e passando a apoiar o até então inexpressivo Dick
Jensen (McCarthy), que sagra-se vitorioso da convenção do partido.
Realizado no momento em que o cinema
americano produziu diversos filmes ambientados no mundo das intrigas política
como Sob o Domínio do Mal (1962) de
Frankenheimer e Tempestade Sobre Washington (1962) de Preminger, o filme consegue, mesmo de modo menos
empolgante e original que os filmes citados, traçar um perfil relativamente
maduro da corrupção e da luta pelo poder político, sob o signo da paranoia
americana com o recente assassinato de Kennedy e a crise com Cuba. Para tanto
se beneficia de sua relativa sobriedade, boas interpretações e do espirituoso
roteiro de Vidal (adaptando sua própria peça), embora sua contraposição entre
idealismo e pragmatismo político soe excessivamente maniqueísta e seu final
forçosamente inverossímil, com o redespertar do amor da esposa de Russell, que
já havia deixado claro para ele que só continuaria casada se ele ganhasse a
presidência. O Hockstader vivido por Tracy, inspirado em Harry Truman, afirma
ser o último presidente de uma fase em que os monopólios ainda não dominavam a
campanha política com um marketing cada
vez mais agressivamente empresarial e por isso nutre sua maior simpatia por
Russell. Aliás, Fonda continua a representar, com a devida atualização da
época, o herói liberal idealista que interpretou em diversos filmes de Ford,
como A Mocidade de Lincoln (1939). O
personagem vivido por Fonda foi baseado em Adlai Stevenson, enquanto seu
oponente foi inspirado na figura de Nixon. O subtema da chantagem envolvendo
homossexualidade na política foi o tema principal do filme de Preminger. Nos
créditos iniciais estão representados - de Washington até Johnson - todos os
presidentes americanos até então. Mahalia Jackson aparece em uma ponta,
cantando na recepção para o ex-presidente. Millar-Turman, distribuído pela
United Artists. 102 minutos.

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