Filme do Dia: Donald's Diary (1954), Jack Kinney
Donald’s Diary
(EUA, 1954). Direção: Jack Kinney. Rot. Original: Dick Kinney & Brice Mack.
Música: Edward H.Plumb.
Donald é um solteirão distraído. Margarida lê manuais sobre como
conseguir um marido. Ela tenta sem sucesso chamar a atenção dele através de
diversos expedientes escusos. Até que um dia consegue literalmente fazê-lo cair
na armadilha. A paixão romântica surge intensa entre ambos. E tem que
sobreviver aos irmãos de Margarida e suas traquinagens, assim como sua mãe
semi-surda e mal-humorada. O casamento ocorre somente para que Donald perceba
várias facetas que ele não tinha tido ideia antes.
Guiado pela voz over do alter-ego de Donald esse, que é o último curta
para o cinema em que surge a personagem
chama a atenção por seu tom misógino, guardada as devidas proporções, nada
muito diverso da produção contemporânea em ação ao vivo (como O Pecado Mora ao Lado) assim como
marcado por uma mescla de cacoetes de longa data (como é o caso do protagonista
se encontrar sonhando) com pequenos ajustes mais compatíveis com o período,
como algumas piadas como a que inclui a lista de marinheiros que vai se
despedir de Margarida, e que são
justamente os diversos nomes que também haviam gravado seu nome no tronco de
uma árvore. Assim como no exemplo recém-citado, o tom misógino surge a todo
momento desde Donald se deparar casualmente logo de manhã cedo com uma
Margarida completamente não-produzida até o momento em que ao invés de um
abraço ou beijo quando esse se aproxima apenas percebe que ela queria mesmo era
sua carteira. Uma das poucas vezes em que o curta demonstra ser equiparadamente
sarcástico com Donald é o que o seu alter-ego comenta o momento em que ele a
teria beijado a primeira vez, enquanto acompanhamos na imagem justamente o
oposto, Margarida energicamente agarrando-o.
Destaque para o fato de Donald se vestir numa espécie de versão discreta
dos artistas de vaudeville da virada do século. Assim como a paródia de cena
romântica em um arremedo de um mirante para a Ponte do Brooklyn antecipar em
décadas o Manhattan de Allen. Ao final, o personagem opta por servir a Legião
Estrangeira como forma de escapar do casamento. Walt Disney Prod. para RKO
Radio pictures. 7 minutos e 22 segundos.

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