Filme do Dia: Bérénice (1954), Éric Rohmer

 


Bérénice (França, 1954). Direção: Éric Rohmer. Rot. Adaptado: Rohmer, a partir de conto de Edgar Allan Poe. Fotografia: Jacques Rivette. Com: Teresa Gratia, Éric Rohmer.

Família vive em abastada propriedade. O primo (Rohmer), sempre mais recluso e reflexivo que sua Bérénice (Gratia), prima e futura noiva, que constantemente brinca com uma adolescente. Ele se sente obcecado por suas próprias perturbações, ao ponto de ignorar o ataque sentido pela esposa, para desespero da garota. Após pedi-la em casamento, a monomania do homem se fixará nos dentes de Bérénice. Nem mesmo quando a descobre morta no quarto, sua obsessão desaparece.

Há algo de diáfano nesse curta de um quase estreante (Rohmer havia realizado seu primeiro curta quatro anos antes) que, no entanto, é prejudicado pelo próprio amadorismo de seu realizador, com sua voz over excessiva, demasiado pomposa e intrepretação canhestra do elenco, incluindo o próprio Rohmer como protagonista, função que sabiamente abdicaria posteriormente, também por demais afetado em sua pose existencialista. É impossível não evocar, não sem certa infelicidade, da adaptação muda de Epstein para A Queda da Mansão Usher (1928). Se há alguma dúvida sobre a música ser ou não diegética, ela parece soar como algo no estilo proto-diegético, do tipo que poderia ser a que os personagens escutam – há quase sempre uma vitrola a rodar um disco – mas não literalmente, já que o personagem a determinado momento mexe no disco sem que haja qualquer perturbação da trilha musical. 21 minutos.

 

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