Filme do Dia: A História Não Contada dos Estados Unidos - Os Anos 50 - Eisenhower, a Bomba e o Terceiro Mundo (2012), Oliver Stone
A História Não
Contada dos Estados Unidos – Os Anos 50 – Eisenhower, a Bomba e o Terceiro
Mundo (The Untold History of United States. Chapter 5: The 50’s – Eisenhower, The Bomb & the Third World, EUA, 2012). Direção Oliver Stone. Rot. Original Matt Graham, Peter Kuznick &
Oliver Stone. Música Craig Armstrong & Adam Peters. Montagem Alex Márquez.
Três dias antes da
posse de Eisenhower, é detonado a bomba atômica mais destrutiva já lançada em
um teste. Estamos em 1952. Quem era este novo presidente com cara de avô?
Indaga-se Stone, para logo responder sobre um general com laços de amizade
forjados com um equivalente seu soviético e elogiado por Stálin, chegando a
participar de uma das paradas na Praça Vermelha, na mesma tribuna que o líder
russo. Apesar de sua moderação, seu secretário John Foster Dulles cravou uma
declaração afirmando sobre os soviéticos se encontrarem dispostos a dominar
qualquer país livre possível. Dulles, ferrenho anti-comunista, embora tenha
negado, contribui fortemente para a economia alemã dos tempos de Hitler. O
veterano General McCarthur, assegurou que os chineses não enviaram tropas para
combater na guerra, sendo exatamente o ocorrido a partir do final da década. O
bombardeio aéreo sobre a Coreia do Norte foi tão massivo quanto haviam sido os
sobre as cidades japonesas na Segunda Guerra.
Em 27 de julho de 1953 foi firmado um acordo de paz dividindo o país em
dois, justamente na mesma linha onde as batalhas haviam se iniciado três anos
antes. Houve sugestões de serem lançadas bombas atômicas contra a China e o ato
de bombardeio aéreo sobre uma grande represa coreana, provocando inúmeras
perdas de vidas e econômicas, havia sido considerada crime de guerra quando realizada
pelos nazistas, segundo o Tribunal de Nuremberg. Mais de 50% dos gastos dos
orçamentos federais até o final da década foram com armamentos. O Secretário de
Defesa Marshall foi acusado de comunista por McCarthy, o senador a quem
Eisenhower secretamente deplorava o uso das táticas. Truman fez um discurso se
posicionado contra a histeria anti-comunista de alguns (McCarthy,
evidentemente). Apesar do discurso exemplar, inclusive ao afirmar que os
Estados Unidos não se tornariam um regime totalitário para combater outro
regime totalitário, a realidade era bem diversa, com Hoover mantendo mais de
400 mil investigados, com o consentimento do presidente. A Comissão de
Atividades Anti-Americanas, segundo a escritora Mary McCarthy, não tinha como
alvo a subversão, mas transformar a traição em princípio de boa cidadania. E os
resultados foram uma destruição do aparato trabalhista e das organizações de
esquerda emergidas durante os anos de Roosevelt, e nunca mais recuperadas ao
patamar dos anos 30 e 40. Em 1953 os
soviéticos explodiram uma bomba de proto-hidrogênio no Casaquistão. Porém um
teste nas Ilhas Marshall, cujos resultados afetariam pescadores japoneses,
alertaram para os riscos da naturalização dos testes atômicos. Os Estados Unidos provocam desestabilização
econômica no Irã, seguida por um fantoche seu, o Xá Reza Pahlevi, transformando
o país no principal aliado ocidental pelo próximo quarto de século. E também
crescentes temores da União Soviética, com fronteiras compartilhadas de mais de
2 mil quilômetros com o Irã. Houve
também intervenções na Guatemala, sob o pretexto absurdo do risco comunista. Os
Estados Unidos apoiavam a imensa maioria dos custos dispendidos pelo exército
francês na guerra da Indochina. Um preposto norte-americano foi entronado líder
e as eleições seguintes (Eisenhower admitia 80% dos votos seriam para Ho Chi
Min) canceladas. A imagem dos Estados Unidos em meados dos anos 50 nos países
do Terceiro Mundo era a pior possível. A sua luta contra o chamado comunismo
era observada como uma luta contra os pobres e em busca dos recursos naturais
destes países. Houve então a marcante conferência de Bandung, na Indonésia.
Kruschev choca o mundo ao anunciar os crimes de um stalinismo, tendo
transformado o país em algo mais conformista que os Estados Unidos. A repressão
à primavera húngara foi efetuada pela pressão dos linha-dura do partido e uma
provável queda de Kruschev senão a efetuasse. A Guerra Fria se manifestando na
corrida espacial, com a vanguarda dos soviéticos aos porem o primeiro satélite
em órbita, o Sputnik. O então senador Lyndon Johnson considerou sobre em poucos
anos os americanos estarem jogando bombas do alto do espaço contra o país.
Indagado, em meio a sua aposentadoria, se compraria o livro adaptado para o
cinema em A Hora Final, Churchill
pessimistamente anteveu o fim do mundo e não gastaria seu dinheiro em fazer o
sugerido. A Revolução Cubana.
Nixon, então vice-presidente, considerou
Castro, em pouco tempo sofrendo uma estratégia americana contrária assinada por
Nixon, um ingênuo comunista. Patrice
Lumumba, líder congolês, busca apoio dos Estados Unidos, mas possui efeito
reverso. Foster Dulles o acusa de ser um futuro Fidel, e sua sorte é selada,
sendo preso, torturado e morto. Em seu
local, foi posto o ditador por três décadas Mobuto, o mais fiel aliado da CIA
em território africano. Eisenhower foi o presidente mais transido pela
necessidade de criar um complexo militar de proporções monumentais, com os
armamentos nucleares passando de mil para 22 mil. Houve um plano de possível
ataque conjunto a União Soviética e a China provocando a morte de 600 milhões
de vítimas. Os filmes de ficção da vez utilizados neste episódio são Os
Porcos Morrem de Pé (1959), de Lewis Milestone, ilustrando os terríveis
confrontos na Coréia em um trecho e a recusa de negociação por parte de um dos
líderes coreanos, numa reunião diplomática, ao tirar o fone de ouvido no qual
escutava a tradução da fala do militar americano. Um trecho de Sob o Domínio
do Mal (1962), de Frankenheimer cujo personagem de senador retratado é
visivelmente inspirado em McCarthy. A Morte num Beijo (1955), de Aldrich,
sobre o terror nuclear quando cai em mãos erradas. Fui Comunista para o FBI (1951),
de Gordon Douglas. O Homem do Terno Cinzento (1956), de Nunnally
Johnson, utilizado apenas como sinônimo (o terno cinzento) do conformismo
medíocre dos anos Eisenhower. Godzilla (1954), de Ishiro Honda. A
Batalha de Argel (1966), de Gillo Pontecorvo, para ilustrar a influência
dos levantes na Indochina sobre a Argélia. A Hora Final (1959), de Stanley
Kramer, espelha o sucesso do best-seller nas livrarias e sua história de
hecatombe nuclear. E quando se discute a
possibilidade de uso do efetivo nuclear por outros e não como exclusividade do
presidente, já antecipamos as cenas como sendo de Dr. Fantástico (1964), de Kubrick.
E até mesmo a série Papai Sabe Tudo. Ainda que volte a fazer uso do tema
de seu curta inicial, Last Year in Viet Nan (utilizado no
Capítulo 2), é um dos episódios menos inspirados da série. |Secret History. 58
minutos.

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