Filme do Dia: Planeta Fantástico (1973), René Laloux
Planeta Fantástico (La Planète
Sauvage, França/Tchecoslováquia, 1973). Direção René Laloux. Rot. Adaptado
Roland Topor & René Laloux, a partir do romance de Stefan Wul. Fotografia
Boris Baromykin & Lubomir Rejthar. Montagem Hélène Arnal & Marta
Látalová.
Humanos
são considerados como animais menores, próximo dos insetos, no planeta Ygam,
bastante avançado tecnologicamente e povoado pelos Traag. Uma mãe é torturada
até a morte por crianças Traag. Sua criança é adotada por uma Traag, e torna-se
o animal de estimação de sua filha, Tiwa, que o batiza de Terr. Quando
adolescente, Terr foge com o bracelete de transmissão de conhecimentos de Tiwa,
provocando uma revolução entre outros Oms, como são conhecidos os humanos no
planeta, pelo conhecimento trazido da cultura Traag. E conseguem construir dois
foguetes, de onde conseguem partir para o Planeta Fantástico, na esperança de
fugirem da acidentada vida habitualmente levada entre os Traag.
A ousadia
de Laloux se configura ainda maior quando se tem o contexto bem mais restrito
da animação de longa-metragem à época deste lançamento. Seu experimentalismo se
encontra tanto na forma como a narrativa é elaborada, mas também na disposição
dos próprios desenhos, um tanto herdeiros do universo surrealista de Laloux,
presente já em seus curtas (Os Caracóis, Les Temps Morts, etc.).
A construção visual de seu futurismo trai um passadismo nada incomum ao campo
da ficção, misturando roupas, por exemplo, evocativas da Grécia Antiga,
mescladas a certo orientalismo. Sua música igualmente parece mesclar
influências diversas em uma viagem com paralelos talvez com o de alguns grupos
do rock progressivo contemporâneo, jazz e bossa nova. Há uma certa ausência de
movimentação nas figuras, um pouco assemelhada a dos desenhos da Marvel dos
anos 60, embora lhe caia bem em termos estéticos e não se vincule às cenas com
movimentação dos personagens. E quando dialogam geralmente apenas há movimento
nas bocas. Tampouco se tem a sensação de um corpo tocando o outro na cena de
sedução de Terr. Sua narração interna é um processo tão labiríntico e complexo
quanto alguns dos desenhos, existindo várias possibilidades de diálogos,
internos e externos à história. Quebra-se com tradições um tanto mandatórias da
história da animação, como a da morte – morre-se muitas vezes, tanto os humanos
como os animais, e uma quase afirmação da morte como um exercício da natureza é
o do lagarto recém-saído da casca do ovo e quase imediatamente lambido e
tragado por outra espécie – e, em menor escala, do sexo. Também há uma relação
não menos complexa entre indivíduo – o protagonista – e o coletivo, por muitas
vezes se privilegiando o último, como no encerramento. Grande Prêmio do Júri no
Festival de Cannes. |Argos Films/Les Films Armorial/INA/Ceskoslovenský
Filmexport/Krátký Film Praha/0RTF. 72 minutos.
Comentários
Postar um comentário