Filme do Dia: Tati, a Garota (1973), Bruno Barreto

 


Tati, a Garota (Brasil, 1973). Direção: Bruno Barreto. Rot. Adaptado: Bruno Barreto & Miguel Borges, baseado no conto homônimo de Aníbal Machado. Fotografia: Murilo Salles m& Ronaldo Nunes.  Montagem: Raimundo Higino. Cenografia: Teresa Nicolau. Com: Daniela Vasconcelos, Dina Sfat, Hugo Carvana, Zeze Macedo, Fabio Sabag, Iara Amaral, Wilson Grey, Vanda Lacerda.

Jovem mãe solteira (Sfat), parte do interior para tentar a sorte no Rio de Janeiro. Trabalhando como costureira e morando em Copacabana, com sua filha Tati (Vasconcelos), ela passa por muitas dificuldades financeiras e é ameaçada de despejo. Tati possui um grupo de amigos, entre as quais se destaca uma menina negra. Ridicularizada pelos colegas por não ter pai, ela possui na figura do amante da mãe, Comandante Peixoto (Carvana), que visita ocasionalmente as duas, um arremedo de figura paterna, ao mesmo tempo que provoca impacto nos seus colegas. A mãe acaba perdendo o filho que esperava, porém renuncia a entregar Tati para uma irmã e vai com ela até o aeroporto, despedir-se do “namorado” da menina, Paulinho.

Essa estréia de Barreto no cinema, com menos de dezoito anos, apresenta como maior problema a falta de coesão e ritmo como suas principais limitações, para não falar da criança que vivencia a personagem-título e de uma interpretação canhestra de Carvana. Porém, em meio a sua polimorfa dispersão e excessiva fragmentação, resistem alguns breves momentos de lirismo pueril ou das dificuldades que acarretam a emancipação feminina para os menos economicamente favorecidos, na bela interpretação de Sfat, em sua melhor fase (ela também foi produtora do filme). Indeciso entre o melodrama e uma comédia protagonizada por crianças ao estilo de Na Idade da Inocência, de Truffaut (de quem, certamente, seu Os Incompreendidos, influenciou na criação da personalidade pseudo-marginal de sua protagonista), o filme finda por não concretizar nenhuma das sugestões. Lucy Barreto Produções. 87 minutos.

 

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