Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#145: Thomaz Farkas
FARKAS, THOMAS. (Brasil, 1924-2011). Um dos primeiros fotógrafos a serem considerados "artista" no Brasil dos anos 30 e 40, Thomaz Farkas se tornou o mais importante produtor de filmes documentários, durante o movimento do Cinema Novo dos anos 60. Ele nasceu em Budapeste, Hungria, e emigrou com seus pais quando tinha seis anos de idade. Trabalhou para seu pai em uma das primeiras lojas, Fotoptica, e começou a exibir suas fotografias em 1942. Algo de sua obra se encontra na coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Também graduou-se em engenharia pela Politécnica de São Paulo, nos anos 50. Em 1960, quando seu pai morreu, assumiu a Fotoptica e a geriu até 1997.
Em 1963, Fernando Birri e três de seus associados da Escola Documental de Santa Fé, fugiu da Argentina, e levou seu trabalho para São Paulo, onde encontraram Farkas e seu grupo de aspirantes a documentaristas. Inspirados a realizar documentários políticos, Farkas produziu e filmou quatro curtas, em cooperação, em 1964-65: Viramundo, dirigido por Geraldo Sarno; Memórias do Cangaço, dirigido por Paulo Gil Soares; Nossa Escola de Samba, dirigido por Manuel Horacio Giménez; e Subterrâneos do Futebol, dirigido por Maurice Capovilla. Mesmo Viramundo iniciando com uma bastante conservadora "voz de Deus", rapidamente se transforma em em uma complexa "investigação em processo" em som síncrono, espécie de "diálogo" entre os realizadores e os temas do filme, migrantes nordestinos chegando de trem em São Paulo. (Ver Julianne Burton, "Democratizando o Documentário", em Burton [1998, pp. 58-60], e José Carlos Avellar [1982, pp. 329-30].
Eventualmente estes curtas seriam lançados juntos enquanto longa, Brasil Verdade (1968). Entre 1969 e 1971, Farkas produziu um ciclo de documentários curtos na série Condição Brasileira, listado diversamente entre 19 e 22 títulos, explorando a vida e cultura da região nordeste do Brasil, tornando-se proeminentes obras do Cinema Novo. Dentre estes se encontravam Cantoria, Jornal do Sertão (1970), de Sarno, O Homem de Couro (1969), de Soares, e outros filmes dirigidos por estes dois, assim como por Eduardo Escorel e Sérgio Muniz. Cinco destes filmes foram compilados em um longa, Herança do Nordeste, lançado em 1972. Farkas continuou a trabalhar com uma série de seus colegas nos anos 1970 e 1980, incluindo produção associada no longa ficcional Coronel Delmiro Gouveia, de Sarno. Também dirigiu e produziu alguns poucos filmes, incluindo o documentário em média-metragem sobre o músico Hermeto Campeão (1981), e em 2004 foi o tema de um retrato curto, Thomaz Farkas, Brasileiro, dirigido por Walter Lima Jr. Visitou a Inglaterra pela primeira vez em 2005, para o Latin American Film Festival, em Londres, onde apresentou e comentou uma seleção de seus filmes, e recebeu vários prêmios por sua carreira no Brasil durante a última década de sua vida.
Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 243-44.

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