Filme do Dia: A Mulher Vespa (1959), Roger Corman

 


A Mulher Vespa (The Wasp Woman, EUA, 1959). Direção Roger Corman. Rot. Original Leo Gordon, a partir do argumento de Kinta Zertuche. Fotografia Harry Neuman. Música Fred Katz. Montagem Carlo Lodato. Dir. de arte Daniel Haller. Com Susan Cabot, Michael Mark, Anthony Eisley, Barboura Morris, William Roerick, Frank Gerstle, Bruno VeSota, Roy Gordon.

Ambiciosa empresária de cosméticos, Janice “Jan” Starlin (Cabot), pretende fazer uso dos experimentos do cientista excêntrico Eric Zinthrop (Mark), para lançar um revolucionário produto rejuvenescedor. A própria Jan se voluntaria como cobaia e, ansiosa com a relativa demora dos efeitos de rejuvenescimento, decide se injetar compostos do laboratório de Zinthrop. Seus amigos e colegas se encontram preocupados com sua situação, como a secretária Mary Denninson (Morris). Zinthrop se torna vítima de um acidente, e Janice busca desesperadamente por ele. Após algum tempo os investigadores policiais o encontram ferido em um hospital. Janice busca o melhor dos especialistas para cuidar de Zinthrop, que teve danos cerebrais em seu acidente. Seguindo os passos de outros, Mary e Bill (Eisley) vão investigar o que sucede no edifício no qual funciona a empresa de Jan.

Um dos achados desta ficção-científica um tanto tímida em apresentar seus efeitos especiais destacados nos cartazes – muitos dos filmes não apresentavam, ao final de contas, até por não possuírem recursos ou tecnologia para materializá-los além das pranchetas de seus talentosos ilustradores; a mulher-vespa somente aparecerá a caráter com vinte minutos para o término da película – é a primorosa compreensão das experiências e do linguajar de Zinthrop como pseudotécnicos por um dos personagens. É um clichê do gênero, mas enquanto habitualmente tais termos buscam um precário verniz de cientificidade exigido pelo mesmo já em seus antecessores literários, aqui se desdenha não dos experimentos em si, mas da própria nomeação dos mesmos. E não menos curioso é a versão para a TV ser uma dezena de minutos mais longa que a exibidas nos cinemas, quando habitualmente o material cinematográfico sofria cortes para chegar aos lares americanos. E é igualmente uma versão colorizada, cuja relativa descrição do processo nos faz evocar seus equivalentes algo desbotados contemporâneos, como é o caso da produção que provavelmente motivou esta, A Mosca da Cabeça Branca,  lançada no ano  anterior demandarem efeitos complexos, como o ataque das vespas ao segurança do laboratório, é o do extracampo somado a uns tons mais altissonantes na trilha. Lógico que se espera os gritos histéricos da heroína a partir da visão da besta, uma lição já posta pelo filme anterior. Tampouco incomum a sua filiação genérica é  a forte conotação de gênero-sexual, explorada inclusive por dizeres no cartaz, a respeito de uma dualidade entre o dia e a noite, na transformação da mulher em besta, associada a uma mulher madura e sem companheiro. Resta o mistério de porque somente Mary não foi devidamente atacada na jugular pela mulher-vespa e a engenhosa, em sua síntese, solução (visual) final a remeter ao início.  Em meio a tanta precariedade (de roteiro, de trilha musical, de interpretações) das produções feitas a toque de caixa por esta figura seminal do cinema estadunidense, Roger Corman, destaca-se  um notável trabalho de câmera e decupagem. Filme eminentemente, senão integralmente, de estúdio (com suas fotografias de fundo de Manhattan um tanto escancaradas), que quando se tem tomadas filmadas na rua, elas parecem fazer parte de um universo completamente distinto. A miscelânea de tropos aqui recorre a O Médico e o Monstro e Oscar Wilde, passando por Poe, que logo a seguir teria uma série de adaptações dirigidas pelo realizador. Os 11 minutos de acréscimo desta versão trazem igualmente filmagens realizadas durante seu lançamento na TV, meia década após circular em tela grande, e prática bastante habitual não apenas nos filmes dirigidos por Corman, mas também nos que produziu. |Santa Cruz Prod. Inc. para The Filmgroup. 73 minutos.


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