O Dicionário Biográfico de Cinema#320: Margaret O'Brien

 


Margaret O'Brien, n. Los Angeles, 1937

No térreo da residência dos Smith, em um subúrbio de St. Louis, cerca de 1904, houve uma festa adolescente. As duas crianças mais novas da casa rastejaram da cama e observaram das escadas. Mas foram percebidas e chamadas a descer por seus tolerantes irmãos mais velhos. Nenhuma festa foi interrompida de forma mais frutífera. Pois uma destas crianças, "Tootie", foi interpretada por Margaret O'Brien e com sua irmã, Esther, vivida por Judy Garland. Ela executa um deslumbrante cakewalk* ao som da música Under the Bamboo Tree. Precisamos ficar não muito surpresos que uma garota de sete anos consiga carregar sem destruir a maravilhosa graça da câmera de Vincente Minnelli de Meet Me in St. Louis [Agora Seremos Felizes]. Mais sutil é a discrição e intimidade do número, pois Agora Seremos Felizes é a história de uma família que acontece de ser ilustrada por canções. A sequência do cakewalk nunca perde de vista do momento de glória de Tootie nem a luz nostálgica que aquece o filme por inteiro. O espetáculo é permitido para descansar com a personagem e a plausibilidade. Acrescenta-se a convicção de sangue inteiro na sequência do Halloween e você verá que extraordinária atriz-mirim Margaret O'Brien foi. A brincadeira exagerada em, por exemplo, Our Vines Have Tender Grapes [O Roseiral da Vida] (45, Roy Rowland), é uma grande façanha cômica, ao ponto de se lamentar a quantidade de vezes que foi restrita ao estereótipo sentimental das crianças. 

Realizou sua estreia aos quatro anos e teve dez bons anos na MGM: Babes on Broadway [Calouros na Broadway] (41, Busby Berkeley); Journey for Margaret [Sublime Alvorada] (42, W.S. Van Dyke); Dr. Gillespie's Criminal Case [A Volta da Noiva] (43, Willis Goldbeck); cantando "In a Little Spanish Town" em Thousands Cheer [A Filha do Comandante] (43, George Sidney); Lost Angel [O Anjo Perdido] (43, Rowland); Madame Curie (43, Mervin LeRoy); Jane Eyre (44, Robert Stevenson); The Canterville Ghost [O Fantasma de Canterville] (44, Jules Dassin); Music for Millions [Música para Milhões] (44, Henry Koster); The Unfinished Dance [A Dança Inacabada] (47, Koster); Tenth Avenue Angel [Rua dos Sonhos] (48, Rowland); Big City [A Mascote da Cidade] (48, Norman Taurog); como Betty em Little Women [Quatro Destinos] (49, LeRoy); The Secret Garden [O Jardim Secreto] (49, Fred M. Wilcox), sua melhor interpretação, um estudo focado na dignidade rígida de uma órfã dominada pelo pânico; e Her First Romance (51, Seymour Friedman).

Realizou somente dois filmes como jovem adulta: o relativo a cavalos Glory [Sangue Selvagem] (55, David Butler) e Heller in Pink Tights [O Pistoleiro e a Bela Aventureira] (60, George Cukor) quando, como filha inepta, seu talento para a comédia ainda parecia real. Mas talvez tenha sido formada em uma época e estilo pregressos. Quando fez o teste para o papel de Natalie Wood em Rebel Without a Cause [Juventude Transviada], perdeu-o "por responder a todas as perguntas professando amor por seus pais e mestres." O espírito e o ritmo de um cakewalk pode durar uma vida inteira.

Pode ser vista em Amy [Amy - Uma Vida Pelas Crianças] (81, Vincent McEveety); Dead in Love (09); Frankenstein Rising (10).

Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 1956-57.


(*) N. do T: tipo de passe ou marcha de dança, de origem negra,  em que quem conseguir a executar de forma mais virtuosa ou excêntrica ganha um pedaço de bolo. 

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