Filme do Dia: Nogent, Eldorado du Dimanche (1929), Marcel Carné & Michel Sanvoisin

 


Nogent, Eldorado du Dimanche (França, 1929). Direção Marcel Carné & Michel Sanvoisin.

Primeiro filme de Carné, este curta tido como perdido por muito tempo bebe em ao menos três fontes bastante influentes nos anos anteriores: o cinema de montagem soviético; o próprio cinema francês, sob a forma do simbolismo que influenciou fortemente a montagem vanguardista soviética e as “sinfonias urbanas”, que muitas vezes faziam uso de uma montagem dinâmica, seja em sua completa extensão (caso de O Homem com a Câmera) ou pelo menos em segmentos de sua extensão, como é o caso deste curta. Que simula uma chegada féerica à cidade a partir do trem, segmentado em vários motivos, detém-se mais demoradamente em um baile as margens de um rio, entrevisto em suas janelas. Este vem a ser o tema do seu próximo motivo, o rio, e sobretudo inicialmente os que praticam remo nele, em meio à pequena multidão que vem usufruir do lazer em um provável domingo. Mas logo voltando sua lente para os que simplesmente o utilizam como passaporte para um momento de romantismo – há uma encenação da abordagem e flerte de dois rapazes que se aproximam de duas garotas à margem do rio – ou pesca. Garotos pacientemente a esperarem por uma ocasional fisgada de um peixe. Os banhistas numerosos a se deliciarem em suas águas. Os que pulam de um trampolim improvisado de ousada altura. O inevitável sonolento em sua margem. Os que passeiam de lancha motorizada. Os músicos a atraírem alguns passantes. Aqueles que competem em prova aquática. A moça que colhe flores.  Prova de remo acompanhada por olhares atentos às margens do rio, sejam aqueles que a observam de um ponto fixo, na relva, ou móvel de bicicletas, que a câmera faz questão de demonstrar que avançam em ritmo próximo ao dos barcos. Os que se divertem nos variados brinquedos de um parque. O momento no parque é outro no qual a montagem rítmica da vanguarda se faz mais presente, a nos fazer lembrar o uso ainda mais radical feito pela associação de planos em movimento de filmes como o Entr’acte de Clair. Nem precisaria do título para se intuir tratar-se de um domingo. Versão de 1968, provável momento da redescoberta do curta. Trata-se de uma evidente versão posterior, não apenas pela sonorização da trilha musical, mas da referência a tratar-se do “primeiro filme” de Carné, valorização dada a posteriori evidentemente. Há fontes que trazem vinte minutos como sua duração. |L.J.C Editions & Productions. 15 minutos.

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