Filme do Dia: O Quadro Negro (2000), Samira Makhmalbaf
O Quadro Negro (Takhté Sia, Irã/Itália/Japão, 2000). Direção: Samira Makhmalbaf.
Rot. Original: Mohsen Makhmalbaf, Samira Makhmalbaf & Zaheer Qureshi.
Fotografia: Ebrahim Ghafori. Música: Mohammad Reza Davishi. Montagem: Mohsen
Makhmalbaf. Com: Said Mohamadi, Behnaz Jafari, Bahman Ghobadi, Mohamad Karim
Rahmati, Rafat Moradi, Mayas Rostami, Saman Akbari, Ahmad Bahrami.
Said (Mohamadi) é um dos inúmeros
professores itinerantes curdos que buscam alunos com enormes quadros negros nas
costas. Ele se vê como parte de um grupo predominantemente de homens idosos,
para quem os seus serviços educacionais nada representam, na perigosa fronteira
entre Iraque e Irã no período em que a guerra entre os dois países é travada.
Said então se oferece a guia-los até a fronteira, casando-se no meio do
percurso com Halaleh (Jafari), que possui um menino de tenra idade. Halaleh não
quer muita conversa com ele, e o pai dela (Rahmati), passa dias sem conseguir
urinar. Já Reeboir (Ghobadi), segue com um grupo de garotos contrabandistas,
tentando ensinar a alguns deles os fundamentos do alfabeto.
O segundo longa de uma carreira que
parecia promissora e algo incomum em um país como o Irã, mas que não iria
aparentemente além após alguns anos e o exílio, é bem menos cativante que o
primeiro, o surpreendente A Maçã
(1998), que havia dirigido com apenas 18 anos. De fato, essa produção não
consegue engrenar empatia suficiente para com a situação que apresenta. Ao
contrário do filme anterior, Maklmalbaf se dirige a um universo primordialmente
masculino, ainda que exista uma mulher, uma situação de casamento por
comodidade e faz uso dos diversos usos do quadro negro, desde os mais óbvios
(ensino) até os mais chamativamente heterodoxos (maca, tipoia, cerquinha para
intimidade, escudo contra balas). Traz uma lastimosa impressão de tirar partido
da situação de miserabilidade e acuamento de seus personagens aparentemente
colados à realidade histórica vivida da época de uma forma bastante mais
convencionalmente associada com a tradição do pior neorrealismo, sem contar com
outro elemento que esteve nas obras mais interessantes da onda cinematográfica
iraniana da época , o da autoreflexividade, trabalhado de forma bastante
inteligente e distinta em seu primeiro filme. Essa hedionda versão transmitida
pela tv italiana é dublada na língua de seu país co-produtor. Prêmio do Júri em Cannes. Makhmalbaf
Prod./Fabrica/Rai Cinema/T-Mark. 80 minutos.

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