Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#147: Rómulo Gallegos
GALLEGOS, RÓMULO. (Venezuela, 1884-1969). O mais conhecido escritor venezuelano, foi produtor e roteirista nos anos 1940 e também brevemente presidente do seu país (1948). Rómulo Gallegos escreveu o mais aclamado romance sul-americano da primeira metade do século XX, Doña Barbara (1929). Nascido Rómulo Gallegos Friere, de uma humilde família de Caracas, tornou-se jornalista e professor escolar em idade bem jovem, atividades que lhe propiciaram apoio para sua escrita ficcional. Seu primeiro romance publicado foi El Ultimo Solar (1920). Seu segundo, La Trepadora, foi adaptada ao cinema venezuelano em 1925. Em 1927 Gallegos viajou a Apure no planalto central venezuelano (Llanos) para pesquisar para seu próximo romance, originalmente intitulao La Coronela. Antes de publicá-lo visitou Bolonha, Itália, para uma operação de sua esposa, e lá trabalhou substancialmente na revisão do texto, que renomeou Doña Bárbara. O livro foi publicado na Espanha e foi novamente substancialmente revisado em 1930, e então traduzido ao inglês em 1931. Através do personagem de um advogado liberal, Santos Luzardo, o mais importante romance de Gallegos apoia a civilização e o progresso contra o barbarismo do passado colonial e da autocracia rural. O duradouro ditador da Venezuela (1908-35), Juan Vicente Gómez, que era mestiço, ironicamente tornou-se semelhante a um caudillo, o homem forte dos Andes, contra quem se opusera: um déspota selvagem, dependente dos militares. Doña Bárbara foi interpretado como sendo uma alegoria sobre o presidente, e Gallegos permaneceu no exílio na Espanha, onde escreveu mais dois romances, um deles Canaima (1935), que corrigiu parcialmente o tratamento da floresta selvagem do Orinoco pelo autor, apresentando um personagem indígena positivo.
O retorno de Gallegos à Venezuela se deu em 1936, sendo designado ministro da educação pública. Em 1937 foi eleito ao Congresso, e ajudou a estimular a produção cinematográfica no país, fundando os Estudios Avila. Equipamento cinematográfico foi transferido aos Estudios Avila do agora defunto Laboratório Nacional. Em 1941, após ter sido prefeito de Caracas por dois anos (e recém-derrotado na eleição presidencial) Gallegos liderou o primeiro projeto de longa-metragem do estúdio, Juan de la Calle, dirigido por Rafael Rivero. Gallegos escreveu o roteiro original e o produziu, sendo um enorme sucesso doméstico e internacional. Em 1943 escreveu o roteiro para a versão cinematográfica mexicana de Doña Bárbara, co-dirigido por Miguel M. Delgado e Fernando de Fuentes, o melhor diretor mexicano dos anos 30. Mesmo a história colocando uma mestiça como a personagem vilanesca principal - era para ser uma figura masculina, patriarcal - a grande atriz Maria Félix trouxe uma paixão irresístivel ao papel de Doña Bárbara, pela qual será sempre lembrada, que quase a transformou em uma heroína. Gallegos escreveu mais três roteiros para filmes mexicanos: La Trepadora (Estirpe de Fidalgos, 1944), baseado em seu próprio romance; La Señora de Enfrente, para o qual escreveu um roteiro original, assim como os diálogos; e Cantaclaro (Rosângela, 1946), também baseado em romance (1934) seu. Também em 1945 Canaima (Canaima, o Deus das Selvas), foi adaptado em filme mexicano, escrito e dirigido por Juan Bustillo Oro.
Gallego concorreu à presidência novamente em 1947, como candidato pela Ação Democrática, e venceu, no que é considerada a primeira eleição honesta no país. Mas permanceu no posto somente entre fevereiro e novembro de 1948, quando houve um golpe de estado. Ele fugiu inicialmente para Cuba, depois se estabelecendo no México. Retornou à Venezuela em 1958, sendo indicado senador vitalício, e venceu o Prêmio Nacional de Literatura. Foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1960, mas perdeu. O Prêmio Internacional de Literatura Rómulo Gallegos foi criado em 1964, e entregue pela primeira vez em 1967. Após a morte de Gallegos (em Caracas) em 1969, Doña Bárbara foi produzida como uma novela (1975) para a tv venezuelana e foi novamente adapatada para a televisão em 2008 pela estação RTI Televisión, da Colômbia. Do mesmo modo, em 1998, Betty Kaplan dirigiu outra versão cinematográfica na Argentina, enquanto "La Trepadora" se tornou uma novela televisiva venezuelana em 2008.
Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 269-70.

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