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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Filme do Dia: Mary Poppins (1964), Robert Stevenson


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Mary Poppins (EUA, 1964). Direção: Robert Stevenson. Rot. Adaptado: Bill Walsh & Don DaGradi, a partir dos livros Mary Poppins, de P.L. Travers. Fotografia: Edward Colman. Música: Irwin Kostal. Montagem: Cotton Warburton. Dir. de arte: Carroll Clark & William H. Tunkte. Cenografia: Hal Gausman & Emile Kuri. Figurinos: Tony Walton. Com: Julie Andrews, Dick Van Dyke, David Tomlinson, Karen Dotrice, Matthew Garber, Glynis Johns, Hermione Baddeley, Reta Shaw, Elsa Lanchester, Reginald Owen, Jane Darwell, Ed Wynn.
Na Inglaterra da virada do século, na  família Banks, mais uma babá pede as contas por conta das travessuras dos garotos Jane (Dotrice) e Michael (Garber). Seu pai, o pouco afetuoso e calculado banqueiro George (Tomlinson) culpa a mãe, a sufragista Winnifred (Johns) por não ter se disposto com afinco na escolha e promete ele mesmo cuidar do caso, pondo um anúncio no Times. Porém uma ventania dispersa todas as inumeráveis candidatas e leva a carta escrita pelas crianças e rasgada por George para as mãos da mágica e misteriosa Mary Poppins (Andrews), que chega voando como as outras se foram. Poppins e o seu flerte Bert (Dyke), limpador de chaminés, levam as crianças para um mundo de fantasia e encantamento. Influenciado por Poppins, Michael se recusa a doar os dois pence ao dono do banco  que George trabalha, provocando uma fuga de capitais e a subsequente demissão de George. Esse, ao invés de ficar furioso, adota o estilo de levar a vida de Poppins, tornando-se amigo e doce com todos, inclusive suas crianças, recuperando também seu emprego. Quando observa que tudo vai bem e que os ventos voltam a soprar, Mary Poppins parte da forma em que chegou.
Esse que foi um dos musicais mais lembrados – e de melhor bilheteria – da década, e que lançaria Andrews ao estrelato (reassegurado por A Noviça Rebelde, do ano seguinte), sendo também sua estreia no cinema, investe mais no canto que na dança e parece mais incongruente em sua junção algo atrapalhada entre o universo de fantasia evocativo de O Mágico de Oz e uma atualização que incorpora modestamente algo da dança moderna e de evocação social mais próximo do então recente (e de longe mais bem sucedido) Amor, Sublime Amor, sobretudo na sequência em que os limpadores de chaminé dançam nos céus, ou melhor, nos tetos de Londres, a mais bem efetivada em termos de dança. Das canções, mais insalubres que a profissão de Bert (vivido por um Dyke que sobreviveria a uma distante “sequencia” dessa produção, O Retorno de Mary Poppins, de 2018, ao ponto de nela atuar) pouco se pode esperar. Para o público adulto, o que de fato conta são as suas piscadelas em relação a situação feminina (a determinado momento, por exemplo, a Poppins de Andrews afirma incisiva que não há nada a explicar para seu patrão; noutro a feminista vanguardista Winnifred apresenta sua dupla faceta de mulher de ideais independentes, sem deixar de ser a submissa e dócil esposa na frente do marido) e, de uma forma mais convencionalmente codificada pela própria literatura anterior ao momento em que se passa a história, ao materialismo, sob um viés evocativo de Dickens, ou de um pastiche desse ao estilo Disney, demonstrando que, como nos longas-metragens de animação a partir de então, atualizações estavam sendo feitas em relação ao modelo da fantasia clássica, sem perder, em última instância,  a bússola da lógica dos sentimentos a guiar as motivações dos personagens. Apesar disso, de sua longevidade algo cansativa, de uma sexualidade muito pouco afirmada na relação entre Mary e Bert, o filme consegue evitar soluções sentimentais convencionais ao final, relativamente abrupto e sem despedidas chorosas (talvez como as ironias subliminares o pouco que ficou do original de P.L. Travers, ao qual ela tanto se bateu com Disney, situação apropriada anedoticamente igualmente pelo cinema no fraco Walt nos Bastidores de Mary Poppins, de 2013). E, como bônus, ainda existem momentos de interação entre ação ao vivo e animação, os mais notáveis desde que Gene Kelly dançara com o rato Jerry em Marujos do Amor, de 1945, por mais que tampouco soem grandemente orgânicos, mesmo com o charme da sequencia em que pinguins-garçons atendem ao casal e as crianças, e que somente teria outro marco com o cultuado Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Os atores mirins são longe de parcialmente expressivos, sendo que Garber, que não seguiu carreira no cinema por muito além, morreria aos 21 anos. Já Andrews consegue uma muito bem conseguida máscara facial  algo enigmática e determinada a não ceder a sentimentalidade fácil, inclusive no próprio final.  Já o mesmo não pode ser dito de seu contraparte, Van Dyke, que também faz uma ponta – com mais sucesso – enquanto o ancião Sr. Dawes, com dificuldades com os degraus. Walt Disney Prod. para Buena Vista Dist. Co.  139 minutos.

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