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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Filme do Dia: Férias de Amor (1955), Joshua Logan


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Férias de Amor (Picnic, EUA, 1955). Direção: Joshua Logan. Rot. Adaptado: Daniel Taradash, a partir da peça de William Inge. Fotografia: James Wong Howe. Música: George Duning. Montagem: William A. Lyon & Charles Nelson. Dir. de arte: William Flannery & Jo Mielziner. Cenografia: Robert Priestley. Figurinos: Jean Louis. Com: William Holden, Kim Novak, Betty Field, Susan Strasberg, Cliff Robertson, Rosalind Russell, Arthur O’Connell, Verna Felton.
Após muitos anos ausente da sua pequena cidade, Hal Carter (Holden) retorna e se  apaixona por Madge Owens (Novak), a mais bela garota da cidade e prometida para seu único amigo de juventude, Alan Benson (Robertson), cujo pai arranja um emprego para ele. A tensão se torna insuportável a partir de um piquenique, no qual Madge não apenas dança com Hal e deixa de lado a irmã menos atraente e jovem, Millie (Strasberg), como sai com ele em seu carro. Alan aciona a polícia, tendo como subterfúgio o fato de Hal ter saído em seu carro. Ele surge na casa dos Carter e brigam, com  Hal fugindo e tendo a polícia em seu encalço. No dia seguinte ele surge e pede que Madge vá ao encontro dele, pegando um trem como clandestino. Apesar de todas as súplicas da mãe, Flo (Field), Madge viaja de ônibus para encontra-lo.
Esse, que talvez seja o filme de Logan – de carreira relativamente breve e com apenas 11 filmes -  pelo qual seria mais lembrado transpira a sexo em boa parte de sua ação, sobretudo em sua primeira metade. Como em algumas peças de Tennessee Williams, Hal/Holden é o elemento masculino e viril que desestabiliza o matriarcado, tornando-se praticamente o alvo de todas as mulheres. Mesmo não possuindo o sex appeal de Brando ou o carisma de James Dean, é sobre o corpo de Holden, mais do que qualquer uma das mulheres, que o filme se detém enquanto potencial objeto do desejo. Na cena mais patética de todas, a solteirona vivida por Russell, simplesmente rasga sua camisa, em sua desesperada tentativa de seduzi-lo à força. Porém, seu torso nu já havia sido objeto da atenção de todo o grupo de mulheres desde o início, quando de seu retorno à cidade. Noutro momento, observa-se as reações de homens e mulheres na contiguidade de seus respectivos vestiários. Desigual, o filme tropeça numa desnecessária apresentação da rotina de um acampamento de férias, com seus aborrecidos jograis familiares. Porém, pior que isso, já que tal momento ainda pode ser considerado como interessante, ainda enquanto propiciador de uma mera contraposição entre um mundo aparentemente idílico e uma vitalidade que não se deixa aprisionar em seus limites tacanhos, representada pelo desejo sexual, é o tempo gasto com a trama secundária, vivenciada pelos solteirões Alan e Flo, com a última implorando por casamento, na segunda cena mais patética do filme. A cena aérea final, pouco usual para a época, filmada pelo então assistente de Howe, Haskell Wexler, torna-se evocativa da primeira experiência do gênero em Hollywood, no filme Amarga Esperança (1948), de Nicholas Ray. Columbia Pictures. 115 minutos.

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