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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Filme do Dia: Império dos Sonhos (2006), David Lynch


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Império dos Sonhos (Inland Empire, EUA/França/Polônia, 2006). Direção, Rot. Original, Fotografia e Montagem: David Lynch. Dir. de arte: Christina Ann Wilson, Christine Wilson & Wojciech Wolniak. Cenografia: Melanie Rein. Figurinos: Karen Baird & Heidi Bivens. Com: Laura Dern, Justin Theroux, Jeremy Irons, Harry Dean Stanton, Grace Zabriskie,  Diane Ladd, William H. Macy, Julia Ormond.

Nikki Grace (Dern) recebe uma proposta de atuar em um filme ao lado de Devon Berk (Theroux) como sendo provável reaquecimento em sua carreira. Trata-se de uma refilmagem de uma produção polonesa nunca concluída que se afirma ter sido vítima de uma maldição que levou ao assassinato dos dois atores principais. A partir do momento em que recebe a visita (ou a visita da mesma já é um fruto de sua alucinação?) de uma estranha senhora (Zabriskie), Nikki passa a vivenciar uma realidade paralela.

É curioso o modo como Lynch se dirige até um terço de sua longa narrativa centrado de forma predominantemente realista em temas típicos de gêneros como o noir e cria uma expectativa em cima da relação do filme dentro do filme e do casal protagonista e o possível conflito com o marido da atriz. Porém todas essas expectativas são literalmente desconstruídas quando o realizador envereda por seu próprio universo que consegue expressar em termos formais uma representação da psicose onde outras produções,  haviam ficado mais próximas de se restringirem ao conteúdo (Spider e Uma Mente Brilhante). Certamente há uma certa dose de liberdade criativa que o realizador não conquistaria caso estivesse meramente preso às amarras dos grandes estúdios norte-americanos, constituindo-se praticamente em um caso à parte no cenário contemporâneo. O que isso pode significar de concreto? Sem dúvida uma grande dose de autocondescendência que se dá ao luxo de brincar com a possibilidade de dois falsos finais ou de inserções de pastiches musicais de videoclipe hilariantes em meio aos momentos mais angustiantes (evocativos, a seu modo, da obra de Godard nos anos 60), mas também excelentes achados visuais. Nesse último quesito se encontra, por exemplo, a sinistra sequência da estranha senhora, em que a simples proximidade da câmera ou a textura da imagem em DV transposta para a película apenas vem a acentuar, de seu rosto em contraposição ao fundo que é a casa da protagonista. Em meio a tanto delírio a relação do filme dentro do filme, que já havia sido motivo de uma típica sequência em que não se sabe ao certo se tratar do filme ou do filme dentro do filme, somente volta a ser parcialmente recuperada em seu final. Enquanto longeva representação em termos formais de um universo psicótico o filme certamente é bem mais sucedido do que outras produções como Estorvo e Barton Fink. Studio Canal/Fundacja Kultury/Cameraimage Festival/Absurda/Assymetrical Prod./Inland Empire Prod. para Absurda. 180 minutos.

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