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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Filme do Dia: A Comilança (1973), Marco Ferreri


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A Comilança (La Grand Bouffe, Itália/França, 1973). Direção: Marco Ferreri. Rot. Original: Marco Ferreri, Rafael Azcona & Francis Blanche. Fotografia: Mario Vulpiani. Música: Philippe Sarde. Montagem: Claudine Merlin & Gina Pignier. Dir. de arte: Michel de Broin. Cenografia: Claude Suné. Figurinos: Gitt Magrini. Com: Marcello Mastroianni, Ugo Tognazzi, Michel Piccoli, Philippe Noiret, Andréa Ferréol, Solange Blondeau, Florence Giorgetti, Michèle Alexandre.
Grupo de amigos formado por Ugo (Tognazzi), Marcello (Mastroianni), Michel (Piccoli) e Philippe (Noiret) se unem em uma casa para um final de semana gastronômico que resulta na inexplicável auto-destruição dos quatro pelos excessos de comida, o mesmo não acontecendo com as prostitutas que o acompanham, que partem antes das mortes e de Andrea (Ferreol), que sobrevive a todos, com seu insaciável desejo por sexo e comida.

Mais famoso filme de Ferreri, que deixa em aberto possibilidades de interpretação tanto freudianas – do eterno conflito entre Eros e Tânatos - quanto marxistas – a comida enquanto metáfora para a apropriação pela burguesia até o limite de sua própria autodestruição. O resultado final, no entanto, radical em sua opção pela fábula que não pretende compartilhar estritamente das convenções de verossimilhança ou da elaboração de um perfil psicológico denso ou muito menos das motivações dos personagens enquanto base para uma narrativa centrada em ações convencionais, nem consegue ser poético como a metáfora apresentada em Pocilga (1967), de Pasolini, nem um comentário cômico e irônico  que abertamente escarnece a paralisia da burguesia e de seu estilo de vida como certos filmes de Buñuel, notadamente O Anjo Exterminador (1962). O papel de mulher devoradora vivida por Ferreol evoca as matronas dos filmes de Fellini, sem a visão nostálgica e sentimental do mesmo e o cineasta saúda sua infinita sede de vida representada por sua glutonaria e furor sexual.  Há certo momento, no entanto, sua estratégia de “chocar o burguês” se torna um tanto quanto repetitiva, mesmo contando com um elenco tão afinado (todos os cinco atores principais vivendo personagens que possuem seus próprios nomes, característica de um certo cinema autoral europeu da época). Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Capitolina Produzioni Cinematográfica/Films 66/Mara Films. 125 minutos.

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