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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Filme do Dia: Arte de Viver (1992), Ang Lee


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Arte de Viver (Tui Shou, Taiwan, 1992). Direção: Ang Lee. Rot. Original: Ang Lee & James Schamus. Fotografia: Lin Jong. Música: Qu Xiao-Song. Montagem: Tim Sqyres. Dir. de arte: Scott Bradley & Michael Shaw. Figurinos: Elizabeth Jenyon. Com: Sihung Lung, Bo Z. Wang, Deb Snyder, Haan Lee, Lai Wang, James Lou, Audrey Haight, Yin Liang.
Tentando fixar residência nos EUA há apenas um mês, o Sr. Chu (Lihung) provoca uma reviravolta na vida de seu filho Alex (Bo Z. Wang). A esposa de Alex, Martha (Snyder), não consegue se comunicar ou compreender as ações do genro e sua presença constante na casa onde vivem provoca o que ela alega ser um bloqueio na escrita de seu segundo romance. O crescente conflito entre as visões de mundo de Martha e Mestre Chu, professor de Tai-Chi-Chuan, inclusive em como tratar o filho do casal, Jeremy (Lee), fazem com que Mestre Chu abandone na surdina a residência e tente morar por conta própria, tornando-se lavador de pratos em um restaurante de Chinatown. Ele se envolve numa grande confusão que é noticiada pela televisão, fazendo com que o filho vá encontrá-lo na prisão. Mestre Chu decide que a melhor solução para todos é que o filho o ajude a se estabelecer em Chinatown, onde reencontra a viúva Chen (Lai Wang), a quem devota carinho e respeito.

A estréia de Lee como realizador, mesmo não chegando ao cúmulo de apresentar uma solução final pacífica para os conflitos que apresenta, torna-se grandemente prejudicada pelo modo didático e mesmo caricato que representa as tensões resultantes de um choque entre duas culturas bastante distintas. Nessa construção, evidentemente, o papel do velho oriental é representar uma sabedoria milenar voltada para o culto e domínio do próprio corpo, enquanto a mulher ocidental, de modo ainda mais superficial, sobra o senso de praticidade e a ansiedade. Não que tais tipos não possam soar verossímeis e realistas, apenas que o modo como tudo é disposto fica  um meio caminho entre o excêntrico, na linha adotada por certa produção independente norte-americana e o mais convencional, inclusive provavelmente visando igualmente o mercado norte-americano para ser verdadeiramente interessante.  Sua falta de ritmo e interpretações irregulares também prejudicam, em boa medida, a pretensão final, mesmo que o veterano ator que encarna seu protagonista, recorrente na filmografia de Lee, viva com intensidade surpreendente seu personagem. Esse hiato entre pretensão e resultado final acaba pondo por terra seu bem estruturado prólogo, onde por mais de cinco minutos não se escuta um diálogo e toda a tensão entre os modos de ser de Mestre Chu e sua nora são apresentados visualmente e compreendidos em retrospecto. Tampouco visualmente o filme se torna digno de nota, à exceção de um virtuoso e complexo movimento de câmera que parece não apenas acompanhar mais igualmente traduzir a leveza dos gestos do Tai-Chi. Ang Lee Prod./Central Motion Pictures Corp. 105 minutos.

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