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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Filme do Dia: Tráfico (1998), João Botelho

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Tráfico (Portugal/França/Dinamarca, 1998). Direção e Rot. Original: João Botelho. Fotografia: Olivier Guenéau. Montagem: Rudolfo Wudeles. Dir. de arte: João Botelho & Fernanda Morais. Figurinos: Alexandra Barata & Paula Ribas. Com: Rita Blanco, Adriano Luz, Branca de Camargo, João Perry, Alexandra Lencastre, Canto e Castro, Paulo Bragança, Fernando Cabral Martins, Vladimir Rechtilov, Maria João Luís, Dalila Carmo, Arthur Ramos, São José Lapa, Laura Soveral.
 Sem possuir propriamente uma linha narrativa, o filme apresenta situações geralmente absurdas, numa linha evocativa do surrealismo buñueliano, mas igualmente de Godard e quiçá até de um Sérgio Bianchi, em relação a um comentário sobre a sociedade portuguesa, embora aqui de forma infinitamente mais simbólica, anti-realista e oblíqua que em Bianchi. Existe, por exemplo, num dos esboços de narrativa mais bem delimitados, um casal (Blanco e Luz) cujo filho descobre drogas enterradas na praia em que passam veraneio e, de uma hora para outra, tornam-se novos-ricos cuja extravagância não chega a ser degustada já que a polícia já se encontra no encalço deles. Assim como padres que atravessam uma estrada a pé após venderem as imagens sacras e pegam carona justamente do casal que descobriu a droga e tem como filho um garoto chamado Jesus! Ou, numa das mais obscuras, a mulher de um general (Correia), que é deslumbrada pelo universo de arte – e, numa sequência em que a câmera desliza por uma festa parecemos acompanhar algo próximo da ironia de um Paolo Sorrentino, embora de forma infinitamente mais comedida. Bem fotografado e com uma verve visual que é característica de Botelho, associado a referências literárias e musicais (dentre elas Stand by Your Man de Tammy Wynette, também forte presença em Cada Um Vive Como Quer) não se trata exatamente um exercício palatável para um espectador mediano. Finda com o diálogo ensaiado entre dois catadores de lixo em um lixão.  Gémini Films – IPACA – Madragoa Filmes – Zentropa Ent. 112 minutos.


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