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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Filme do Dia: O Morro dos Ventos Uivantes (1939), William Wyler


O Morro dos Ventos Uivantes Poster


O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, EUA, 1939). Direção: William Wyler. Rot. Adaptado: Charles MacCarthur & Ben Hecht, baseado no romance de Emile Bronté. Fotografia: Gregg Toland. Música: Alfred Newman. Montagem: Daniel Mandell.  Dir. de arte: James Basevi. Cenografia: Julia Heron. Figurinos: Omar Kion. Com: Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson, Donald Crisp, Geraldine Fitzgerald, Hugh Williams, Leo G. Carroll, Cecil Kallaway, Rex Downing, Sarita Wooton, Douglas Scott.
Idos do século XIX. Vivendo juntos desde crianças, quando o pai de Cathy (Wooton), Sr. Earnshaw (Kallaway) trouxe Heathcliff (Downing) para uma família feliz, apesar do despeito do irmão de Cathy, Hindley (Scott). Após a enfermidade e morte do Sr. Earnshaw, no entanto, o ainda infante Hindley se torna um verdadeiro tirano rebaixando Heathcliff a categoria de mero cocheiro. Com o passar dos anos, a atração entre Cathy (Oberon) e Heathcliff (Olivier) continua intensa, porém dada a extrema disparidade social entre ambos, Cathy casa-se com o aristocrata Edgar Linton (Niven). Heathcliff retorna e compra o Morro dos Ventos Uivantes, cenário de sua paixão juvenil, transformando o alcoólatra Hindley (Williams) em seu mero agregado.  Repleto de rancor por sua rejeição, Heathcliff se vinga não apenas se inserindo no círculo social dos Lintons, como casando com a irmã de Edgar, Isabella (Fitzgerald), que não percebe que fora apenas um joguete na relação de amor impossível e frustração entre Heathcliff e Cathy. Após anos de casamento infeliz, Heathcliff visita Cathy em seu leito de morte, onde ambos declaram pela última vez o seu amor.
Essa que a adaptação justamente mais célebre de Bronté é um dos melhores filmes da carreira de Wyler. Contando com a fluidez visual, profundidade de campo e os cenários mais realistas que apresentam o teto que tornariam célebre Cidadão Kane, fotografados não por acaso pelo mesmo Gregg Toland, o filme se beneficia da magistral interpretação de Olivier em sua vingança de ressentido social e afetivo por conta do amor eterno perdido. Narrado pela criada de Cathy, Ellen, para um passante, nem o pretenso final feliz literalmente fantasmático que une as almas do casal consegue diluir a bem mais interessante descrição das estratégias do protagonista para se vingar e se aproximar de sua amada. Aqui, como em boa parte da tradição melodramática e romântica – acentuada pela trilha sonora onipresente de um dos mestres do gênero, Newman - enfatiza-se o conflito entre os imperativos do meio social e os chamados dos sentimentos “verdadeiros”, únicos capazes de justificar uma existência para além de trivial ou desgraçada. Um dos recursos que Wyler utiliza com êxito é o dos primeiros planos um pouco mais prolongados nos rostos de Olivier e Oberon, conseguindo transmitir uma dimensão etérea ao amor do casal raramente entrevisto na produção habitual contemporânea. Apesar da produção majestosa, com direito igualmente a cenas de baile, o filme consegue uma densidade maior que o contemporâneo ...E O Vento Levou. John Huston, ainda que não creditado, colaborou no roteiro. The Samuel Goldwyn Co. para United Artists. 103 minutos.


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